quinta-feira, 17 de março de 2011

A CORRUPÇÃO DO HOMEM CORDIAL, QUE PREFERE O AMIGO E NÃO O MÉRITO


Sei que não é o assunto desse BLOG, (destinado prioritariamente às masculinidades), mas a 'grita' sobre a captação de recursos permitida ao BLOG de Maria Betania pelo MinC foi tamanha, e doeu de tal forma no meu coração (claro! tenho cá comigo minhas cordialidades também!), que me senti na obrigação de reunir aqui as coisas que me vi dizendo por aí sobre o assunto.

Dos 'BdHollanda pós-Sergio' eu aprendi a esperar qualquer coisa; mas confesso que esperava mais dos Velloso. Caetano me habituou mal?... Ou é preciso pedir: - D. Canô, por favor puxe as orelhas da sua filha 'sem-noção'!?...

Diante dos fatos que a imprensa divulgou, o http://curiosaidentidade.com/ EXIGE - então - ter direito à manutenção, que acredito ser meritória!
Mas (para quem não compreendeu que isso foi uma tentativa de fazer piada) EXIGE o MESMO que Betania e sua equipe receberam, prioritariamente, para OUTRAS coisas das áreas da Educação/Cultura/Saúde/Arte, tão meritórias quanto! (Ou BEM MAIS?)


Ainda não ganho nada com este BLOG aqui, e continuarei a não ganhar, a não ser o prazer da sua visita, leitor, de preferência com um bilhetinho seu, comentando ao final; e tudo isso sem que haja roubo aos cidadãos, ou franca exibição de carência de senso crítico, ou mesmo de falta de ética!


A colega facebookiana Claudia Pujet lembrou hoje (muito bem lembrado) a frase “Não se esqueça meu filho, quem precisa de arte é o público, artista precisa é de dinheiro” de Cacá Diegues em seu filme ‘Um trem para as estrelas’.


Mas os fatos divulgados hoje lembram também que precisamos/poderíamos rever nosso conceito de MERITOCRACIA, pois público e artistas a MERECEM; sob rigoroso senso crítico, claro!


Um BLOG de 1 milhão e 300 reais é um soco na cara de qualquer pessoa das duas categorias (artistas e público). Uma vergonha para os artistas MERITÓRIOS de seus Projetos MERITÓRIOS - e desqualificados pelos senhores-nunca-se-sabe-muito-bem-quem da cultura - , assim como o público merece (ao contrário de ser melíflua e sistematicamente mantido na maior ignorância possível).


NAAADAAA direcionado a você, Antonio Grasi, pelo contrário! Se você é um dos que está envolvido na avaliação dessas coisas, é até um alívio saber! Ôpa! Tem gente séria lá!, direi. Mas, mesmo assim, particularmente, estou chocadíssima.


Agradeço (e aplaudo, como sempre) sua iniciativa simpática de colocar na internet, transparentemente, uma nota que tenta esclarecer a questão; é mais um atestado da sua elegância (inclusive).


A quem trabalha com Educação, Cultura, Saúde, Arte ela NÃO CONSOLA!...


Não é questão de 'GOVERNO', de 'QUEM É QUE ESTÁ NO PODER AGORA', etc... É UM PENSAMENTO que está no poder há séculos, e parece ODIAR A MERITOCRACIA! Pensamento imaturo, que privilegia o amiguinho, ou o amigo-do-amiguinho, que por sua vez vai te privilegiar depois, em outro momento...


Exatamente porque a Arte não tem FINALIDADE, os fenômenos que melhor a definem são o LUGAR que ela ocupa (que é o de ATUALIZAR O ESPÍRITO HUMANO (ou 'dar uma guaribada nele', para os íntimos), e o TEMPO (que prova que isso ou aquilo era Arte com maiúscula de alguma maneira); o que sobra, é Mercado, Indústria Cultural (que de vez em quando produz TAMBÉM coisas bem bacanas como Sinatra, Beatles, Rock, cinema, etc.)


Nada contra um segmento cultural que também nos diverte, e que tem todo o direito de arriscar 'chegar a um evento Artístico' de produção também, e um dia pô-lo à prova do Tempo.


Mas no momento de fazer escolhas ditas TÃO seletivas, das quais TÃO POUCOS saem contemplados, os critérios poderiam ser OU um pouco mais rigorosos, OU - no mínimo - mais 'abrangentes'; ou não?...


Beirando os 62 anos, me dou ao direito de estar BEEEEM cansada com a eterna repetição de certos nomes familiares, que nos obrigam a ter todos os dias ao redor, como se NOS fossem cerebralmente familiares, tanto que se repetem; só essas famílias produzem 'genialidade'?...


Assim como só outras têm capitanias hereditárias políticas?


Num país desse tamanho, não posso crer que isso seja 'meritocracia'...


Nada 'CONTRA FULANO ou BELTRANA'; TUDO contra um PENSAMENTO que me parece fugir de uma Meritocracia um pouquinho melhor apurada criticamente...


O curioso, que um dos textos que melhor me apoiam nessas reflexões é o de Sergio Buarque de Hollanda, por quem continuo apaixonada...


Aos poucos (muuuuito poucos) que ficaram felizes com a situação exposta pelo incidente do BLOG Betaniesco, e o apoiam, só gostaria de pedir que observassem que - a não ser os comediantes, que o fazem por orgânico / inevitável humor - a imensa maioria que se manifestou NÃO se manifestou gritando "O MEU! QUERO O MEU!"; a maioria se impactou eticamente! Pois MESMO para conquistar essa POSSIBILIDADE burocrática de captação de recursos junto ao Minc (É! TODO MUNDO SABE QUE O MinC NÃO VAI 'DAR' DINHEIRO ALGUM!) já há um 'sufoco' imenso! É dificílimo! Limitadíssimo!


E muuuuito repetitivo nas fronteiras de seus resultados...


Como eu, todos que venceram a barreira da timidez (e até do temor de 'ter seu filme queimado') em se manifestar, o arriscaram porque o impacto ético negativo foi MUITO forte... Mas se pelo menos vocês estão felizes neste descultural país das desmaravilhas, ótimo!


Do Oiapoque ao Chuí deste imenso país poucos parecem estar; por que será?...


A partir de agora, eu me calo(*), e continuo com minha insignificante e modesta viola dentro do saco.


(Imagem, Sergio Buarque de Hollanda)


(*) Acrescento dois comentários com os quais respondi pessoas no Facebook sobre o mesmo assunto; no segundo, um amigo estava aflito porque ele vê uma 'TURBA' querendo apenas derrubar o MinC, e cometendo 'ATENTADOS' que o justifiquem; curioso!


A)... É o que sinto: há um pacto perverso entre Estado/Mercado/'Casa Grande', que se perpetua há aaaaanos... O que houve agora foi uma explosão de uma geração que contava com uma transição disso para alguma coisa concretamente 'menos dodói', nas ...últimas gestões, e não só não a viu, como sofreu o impacto ético dessa notícia específica. Mas o que contou mais - me parece - não foi a notícia e os envolvidos nela, e sim o cruzamento dela com o momento. Um balão cheio de sentimentos justos de exausto rancor por uma história de indignidades, que foi alfinetado por uma gota (no mínimo) duvidosa, e (certamente) repetitiva da chuva que sempre caiu. Se muitos desejarem mudança significativa, todos precisam reflexão, todos merecem debate: seria o bom combate por senso crítico e meritocracia; talvez a plausibilidade de uma 'reforma agrária das oportunidades'... Conforme 'rolar' o andar dessa carruagem, em algum momento poderemos nos ver agradecendo aos que alfinetaram o 'balão' por terem finalmente nos empurrado a uma ação reflexiva tão responsável...

Amiga, até a indústria cultural pode ser uma atividade de mercado exercida com dignidade! Não são os fenômenos "Estado/Mercado/Indústria Cultural" que são 'indignos-por-natureza'; é como a gente fala em relação à Saúde: 'em excesso ou mal usada, até água faz mal'... rsrsrsrs A reflexão - digamos - 'maior' ou 'mais profunda', precisa começar nos indivíduos que transitam em quaisquer segmentos. Daí a responsabilidade especifica dos que já se expressam cultural/artisticamente (e um número inimaginável de seres que poderiam se expressar se tivessem a oportunidade) : a estes cabe 'apurar o Espírito' de todos nós, diminuindo a possibilidade de quaisquer 'indignidades'. BJS!


B)...Querido! Bem que eu estava sentindo a sua falta nessa! Não estou vendo 'turba' alguma, não! Estou vendo muitos INDIVÍDUOS! O que talvez espante, seja a 'explosão do balão'; cá entre nós: ela era, ou não era inevitável? Essa 'chuva' perversa, duvidosa e repetitiva 'cai' há mais de 100 anos! O MinC, ao invés de se assustar, poderia ficar feliz; não é dele (deste) que os indivíduos reclamam! É a famosa 'Gota D'Água', e o assunto me parece o que já tentei (na minha ignorância) definir acima. Pode ser a Gota D'Água; foi a Gota DÁgua. Só isso! Por que chamar MUITOS de 'turba'?... Perdoe-me! Mas não é realista!... Reclamar agora é 'atentado'?... Se teimar o justo e bom combate reclamando não fosse correto, esse governo nem estaria onde conquistou democraticamente estar! Esse Ministério pode perfeitamente convidar alguns indivíduos reclamantes para debater, não? Mostrar que FAZ A DIFERENÇA. Acolher de alguma maneira o que estes indivíduos têm a dizer; seria uma atitude inteligente, empática, CULTURAL e - claro - responsável. Qual o problema?...

7 comentários:

Jefhcardoso disse...

Olá Christina!
De uma coisa eu sei: do Oiapoque ao Chuí tem muitos brasileiros com seus dons artísticos desconhecidos ou enterrados por falta de oportunidades.
Prazer em estar aqui!
“Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)
Gostaria de lhe convidar para que comentasse o meu conto “Água benta bem gelada”. Ok?
Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

Jaime Guimarães disse...

Tecnicamente, a Maria Bethânia ( ou quem mais esteja envolvido no projeto) não cometeu nenhum pecado: qualquer artista pode tentar captar recursos para projetos culturais através da Lei Rouanet e dos Editais de Cultura. Ou seja, ela ( e quem mais estiver no barco) jogou pelas regras do jogo.

O problema é que muitos artistas com projetos culturais relevantes, detalhados e que "jogam as regras do jogo" não conseguem o deferimento do projeto.Vanessa da Mata, Marisa Monte, Caetano e tantos outros artistas consagrados já conseguiram, e isso porque o MinC não está nem aí se o projeto em questão promove novos fomentadores de cultura ou aquele obscuro gênio do sertão: é critério "técnico" e, claro, o "currículo" do idealizador ( ou idealizadores) do projeto determinará tal deferimento.

Aí você tem nomes como Maria Bethânia, Andrucha Waddington, Hermano Viana, Conspiração Filmes...bingo! As empresas vão se interessar na renúncia fiscal, afinal estão promovendo cultura - desde que o "promover cultura" seja com aquele artista consagrado que dê algum retorno além da questão do IR.

Resultado? A mesma patota de sempre é que vai conseguir que seus projetos sejam aprovados. Foi o que você bem expressou: "a eterna repetição de certos nomes familiares, que nos obrigam a ter todos os dias ao redor, como se NOS fossem cerebralmente familiares, tanto que se repetem; só essas famílias produzem 'genialidade'?. "

Mesmo que tenha surgido a conversa de que "não é blog, é um site" ( ou "é um projeto cultural"), os custos AINDA são elevados. Não adianta Andrucha Waddington, Jorge Furtado (aliás, que discursinho, hein?) bradarem aos montes por aí: a coisa toda fica configurada numa espécie de "feudo" da turminha que tem "currículo". Fui ver uns detalhes do projeto de Bethânia:

Direção artística, pesquisa e seleção de textos e atuação em vídeos: Maria Bethânia

Diretor Artístico: R$ 600.000,00

Eu, que tenho um blog pobre, só me resta fazer o seguinte: aguardar a estréia do blog/portal/site ou sei lá o que vai ser da Maria Bethânia e dizer "Bethânia: beijo, me linka"!

Bjs!

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Jefh, vou lá sim; aguarde, que eu vou.
PELA 'REFORMA AGRÁRIA' DAS OPORTUNIDADES!, que tal?...
Abração!

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Jaime, obrigada!
Você complementou lindamente o que eu queria dizer, e estava crente que todo mundo entenderia...
Ou não entendem, ou NÃO QUEREM entender; vi os comentários ao texto do Jorge Furtado, e fiquei mais chocada ainda com eles do que com o que ele próprio disse.
Má fé rolando solta...
BEIJOS!

aquele do blog disse...

Você é o máximo. Penas que as políticas ainda não.
Somos "Feras Feridas" nessa.
Mas teremos nossa vez!
Bjs

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Aos que já leram, peço que espiem os comentários que acrescentei ao corpo do texto, pois considerei reflexões complementares significativas. Obrigada. Abs!

Valéria disse...

Christina discorreu com graça e na dose exata a respeito da meritocracia deixada de lado na sociedade brasileira. É lamentávelo tráfico de influência em todos os setores que só trazem beness a seus apadrinhados.Mas, acredito que a conscientização seja o primeiro passo capaz de propiciar qualquer mudança nesse quadro deplorável.