sábado, 12 de julho de 2008

ALGUNS BONS MOTIVOS PARA O SEXO DE DEUS SER DEBATIDO


QUEM FOI QUE DISSE QUE DEUS É PAI?...

DEUS TEM SEXO?... QUEM ESCOLHEU?...

É uma questão de ética profissional lutar comigo mesma, buscando a maior abertura possível a “quaisquer bandeiras”, buscando a melhor capacidade de escuta possível a quaisquer orientações e posicionamentos humanos.

Além do dever igualmente ético individual e de cidadã comum de me preocupar com a alteridade (com o Outro com O maiúsculo), TRABALHO com isso.

Daí ter optado, há muitos anos, por NÃO ADERIR sequer a time de futebol algum; imaginem se eu iria aderir a partidos políticos ou igrejas?!...

O que me diz respeito, o que me interessa, o que me apaixona são: o jogo, o símbolo, a FESTA. Tudo que exibe a comunicação humana, e a real possibilidade de COMUNHÃO que disso advém.

Por isso, tendo me tornado ainda mais apaixonada pelos mitos, pelos relatos, pelos rituais, pela estilística / estética de TODAS as religiões, me afastei da importância de existir ou não deus, deusa, deuses (aqui o assunto tange isso, deus / religiosidade / religião / o que gire humanamente ao redor disso).

E me exercito diariamente quanto a amplitude da minha tolerância (e até da minha curiosidade, da minha possível eventual admiração, etc.) diante de opções diferentes das minhas (com relação a quaisquer assuntos).

Por outro lado, creio já ter deixado clara a minha DESCRENÇA NA IMPECABILIDADE.

Não existe, inclusive, ser humano totalmente “café-com-leite” (como a gente dizia na escola), ou totalmente (artificialmente?) neutro.

Assim, não “fui vacinada” (felizmente!) contra inevitáveis “simpatias teóricas e práticas” mais acentuadas aqui e acolá, dependendo do momento, do contexto.

A ética está na BUSCA, na BRIGA interior.

Mas o ponto principal dessa busca e dessa briga é BUSCAR, a cada segundo, UMA ÓTICA severamente CRÍTICA, e BRIGAR, a cada segundo, CONTRA a submissão aO SENSO COMUM, da “massa obediente”, da “galera”, da “patota”.

Já que vamos falar de uma coisa que tanto pode existir, como pode não existir (para isso, repito, eu não estou nem aí...), Marcel Duchamp nos brinda, na ilustração acima, com uma imagem bem-humoradamente “santificada”: talvez uma roda, que botasse a comunicação humana “para melhor andar”...

(Ainda bem que ele está morto, para não me ver fazendo uma brincadeira tão rasteira com seu ready-made... Eu mesma estou ruborizada...)

Embora o assunto que ele pretendesse abordar, já num momento seguinte, a princípio fosse ainda outro, quando disse o que disse, nos “obrigou” a lembrar também aqui a sua frase:

“..Não há solução, porque não há problema...” ,

que chega “na hora”, como a melhor das luvas para a mão certa...

Algumas mulheres, como a representante da Teologia Ecofeminista no Brasil, a Irmã Ivone Gebara, consideram que “Deus Pai” é “alguém que joga CONTRA ELAS, MULHERES“, inclusive nas instituições religiosas:

...”O Deus fora de nós era apresentado como Todo-poderoso e ao mesmo tempo pai. O Deus fora de nós tornava-se facilmente a Lei que nos julga a partir de mandamentos ou de preceitos preestabelecidos ditos como verdades sobre Deus e sobre sua vontade. A imagem de um Deus fora de nós podia facilmente ser identificada à imagem do homem como legislador dos comportamentos da mulher. Daí a submissão da mulher e da religiosa em particular aos pontos de vista do clero ou dos teólogos sobre aquilo que era de foro interno ou pertencia ao domínio da vida cotidiana.

...O Deus presente em nossa interioridade, era frequentemente vivido como uma Lei interna que nos levava a contrariar nossa vontade e a nos submeter a outras vontades...

,,, Nesta reflexão estou procurando acentuar mais um lado da moeda para fazer ressaltar a necessidade de uma postura mais livre e respeitosa da realidade da Mulher. ...

... O Deus presente em toda a parte, para além de sua realidade de fé, era também vivido numa perspectiva de coação, ou seja, de uma divindade que a todo instante está a observar, exaltar ou condenar nossos atos. Muitas mulheres viviam mais uma experiência de medo de Deus, o que as tornava ainda mais oprimidas, ...”

...”Além disso, inconscientemente talvez, os homens da instituição religiosa sentem-se mais próximos da divindade projetada como masculina pela cultura patriarcal. Por isso, em nome da tradição, dificultam qualquer reflexão que possa questionar suas imagens teológicas e temem qualquer partilha efetiva do poder sobre o sagrado. Submetem as mulheres e estas se submetem, muitas vezes com evidente prazer, à mesma domesticidade vivida no lar “... (1990 p.22 e 23, e 1992, p.46 e 47).

Enquanto isso, alguns homens que também unem as questões religiosas às de gênero, como o Psicanalista e Rabino H. Eiberg-Schwartz, consideram que “Deus Pai” é “alguém que joga contra ELES, HOMENS“:

..."Ao compreender a imagem de um Deus masculino como um símbolo que gera conflitos para os homens, sigo certos impulsos contidos em escritos feministas contemporâneos sobre gênero". ...

... "Uma divindade masculina gera vários tipos de tensões para os homens e para a masculinidade. Estes são conflitos que têm sido amplamente ignorados nos recentes escritos sobre religião. A masculinidade é uma construção simbólica em conflito com si - mesma. E, como o feminino, o masculino humano é confrontado por uma divindade que é "outra", embora de modo diferente do que é para as mulheres. A projeção masculina, então, não é de modo algum tão direta e não - problemática como muitos intérpretes pensam ou desejam. A masculinidade é ameaçada pelas próprias construções que parecem inicialmente torná-la possível, e os seres humanos do sexo masculino são diminuídos e ameaçados pela projeção que legitima suas posições sociais e seu poder"... (1994, p.32 , 33, 35).

Outras, profissionais de diversas áreas, todas feministas (algumas neo-pagãs) norte americanas, priorizam o debate sobre “Deus Pai” ser “alguém que joga CONTRA TODOS”:

..."Uma parte do profundo mal - estar do sonho masculino são suas projeções, que fazem com que o homem nunca encontre a verdadeira identidade da natureza ou das mulheres. Em suas projeções psicológicas sobre a natureza ou as mulheres, os homens têm utilizado sua imaginação simbólica masculina para projetar sobre as mulheres tanto um status (inferior) quanto qualidades (passiva, emocional, sexualmente receptiva assim por diante). Foram essas projeções da imaginação simbólica masculina que, incorporadas em mito, religião, e papel social, mantiveram por milênios a verdadeira identidade e o poder femininos "no armário" da opressão. A mesma projeção e a mesma opressão foram feitas com relação à natureza. Os homens projetaram qualidades femininas na natureza”..."Estou perturbada pelo fato de que hoje uma parte da imaginação simbólica feminina esteja dando continuidade a simbolizações masculinas da natureza, antigas e inadequadas"..."Nos círculos da Nova Era, muita gente está adotando de forma não crítica a hipótese Gaia, mesmo que em certos aspectos críticos ela seja fruto dessa imaginação masculina velha e cansada..."(Dodson Gray, E.; org. por Nicholson, S.; 1993, p. 287 e 288).

Exemplifico as possibilidades de debate - aqui - com pequenos trechos de apenas três autores, mas a bibliografia sobre essa discussão já é vastíssima!

LOGO, eu - que não tenho como afirmar sequer “se deuses existem” - passo a ter ao menos a certeza que a masculinização ou a feminização projetadas em imagens de deuses, e em seguida reintrojetadas em nós, mobilizam pensamentos, sentimentos, comportamentos, íntimos e públicos, de maneira eloqüente e significativa. Agravante: sabemos que há meninos e meninas cujas próprias vidas, cuja própria sobrevivência, depende DESSA identificação, desta definição imagética do “DIVINO” e suas conseqüências (Somália Sudão, Faixa de Gaza, Afganistão, Caxemira, etc)...

O tema “cruza” a questão do gênero (feminino / masculino) com uma escolha que não envolve apenas as questões do sagrado (religiosidade, êxtase, dionisíaco, apolíneo, impecabilidade, pecado, culpa, castigo, etc.).

Pena: as questões “cruzam”, mas pouco “dialogam”.

O mesmo tema questiona também (bem no "x" desse cruzamento) comportamentos íntimos: fé, crenças, opção pessoal por fidelidades a grupos sociais supostamente baseados em suposta religiosidade e suas consequências...

Estes comportamentos íntimos alimentam comportamentos públicos: catequeses baseadas ora em mera educação tradicionalista, ora em persuasão com direito a lavagem cerebral, ora em franca violência; associações político-econômicas-bélicas justificadas pela religiosidade, etc.

Todos estes comportamentos têm (ainda) enigmática, discutível, “qualidade civilizatória”.

Pergunto: entre as chamadas Maiores Religiões Tradicionais (cristianismo, judaísmo e islamismo) onde estão as propostas religiosas - por exemplo - para utopias plausíveis que “religuem”, colaborem, (de fato) em processos de desreificação e coesão social?

Certamente que não estão na meia dúzia de interesseiras atividades assistencialistas que AINDA predominam!...

LOGO, com isso, falo de ética e pergunto mais: como lidar com justiça, liberdade, igualdade, diferenças, etc., especialmente quando ESTA lida precisaria começar no próprio universo (envolvendo seus segmentos íntimos e públicos) da religiosidade escolhida, e esta depende de decálogos e tabus ancestrais, muitas vezes melifluamente conduzidos e explorados?

A imagem do Deus do Catolicismo e dos Cristianismos, do Judaísmo e do Islamismo assume (opta por) esta fálica - (quem sabe antes falida?) - imagem de “Pai” patriarcal / patrimonialista.

Quando o padrão da Tradição é o patriarcal, costuma vir carregado com imagens de “Pais / Patronos / Patrões / Soberanos”, tendendo a aderir ao retrato de uma crise, que aparece, também, em diversas (outras) instâncias humanas; por exemplo: em regiões em crise organizacional, onde emerge repentinamente um “líder” populista, um “papaizão-do-povo” que - supostamente - vai “botar ordem na casa” (sabemos o quão frustrantes, desastrosas e perniciosas costumam ser também aí as consequências...).

Frequentemente (em todas essas situações) é como se todos os seres ali envolvidos fossem se “desalfabetizando” do EXERCÍCIO DE SE RESPONSABILIZAR (“papaizões” tanto da terra quanto do céu tudo resolvem para nós, eles é que sabem o que é melhor para nós, etc...).

Digo que uma coisa é “gerúndica” quando ela acontece na “eternidade plausível”: no “aqui e agora”.

“Isto posto”, sintetizo com ótica própria, baseada em citações de autores originários de várias disciplinas, a sugestão do seguinte quadro comparativo que buscaria esclarecer que espécie de diferenças farei (neste e em outros textos) quando me referir a “matriarcado” e “patriarcado” (já que os conceitos estão inevitavelmente aparecendo aqui, e para que não haja perigo que se imagine que me refiro às fantasias românticas de Bachofen...).

Adianto que considero que, na realidade tudo que citarei se alterna e interage sem utópicas (não plausíveis) “pureza ou perfeição”; os fenômenos descritos abaixo, seriam “mediados semi-conscientemente” pela gerúndica busca humana de diálogo:

NO MATRIARCADO:

*Questões de Poder:
O poder oscila entre o horizontal e o circular, numa busca inesgotável pelo conceito de democracia. O poder, em si, não passa de uma prestação de serviços, em rede.

NO PATRIARCADO:

*Questões de Poder:
Poder vertical, autoritário, e tido ( e disputado) como um privilégio.

NO MATRIARCADO:

*Questões de Mitologia:
Casais de deuses, sexualizados, (materialidade espiritualizada); uma fé apaixonada e a concretude da natureza, interagem culturalmente.

NO PATRIARCADO:

*Questões de Mitologia:

Deus Pai, masculino, ascéptico e ocioso; (o “filho humano” é que vem aqui “nos salvar ” , romanticamente). Espiritualidade abstrata e invisível; crença pela razão ou pela Lei.

NO MATRIARCADO:

*Questões de Legislação:
Vigora a flutuação (e a busca da Justiça) cultural, que se inspira no modelo cíclico da Natureza: “bom senso”.

NO PATRIARCADO:

*Questões de Legislação:
Vigora a Lei, que (supostamente) impõe a Ordem.

NO MATRIARCADO:

*Questões de Teleologia:
Tanto a existência quanto a morte são sagradas e “estão postas ”; usufrua-se o gerúndio.

NO PATRIARCADO:

*Questões de Teleologia:
O “céu” (o sucesso, a vitória, o triunfo) é (são) sagrado(s). Para atingi-lo(s) há que seguir a Lei.

NO MATRIARCADO:

*Questões "patrimoniais":
Se a terra (Terra) e a vida (Vida) “estão postos” para a mulher e para o homem, “bens” são comunitários, (o que inclui os filhos e as tarefas). A “herança perpetuada” é o próprio “compartilhar”.

NO PATRIARCADO:

*Questões "patrimoniais":
Se “Deus é Pai”, os “pais” da terra (Terra) devem ser os proprietários; mulheres e crianças são “seres de segunda classe”. A propriedade é a herança perpetuada para um descendente masculino e privilegiado.

NO MATRIARCADO:

*Questões Ético/ identificatórias:
Corpo, intelecto e afetos interagem para que cada um possa SER (um indivíduo). Logo, entidades
individuais ou coletivas podem (e devem) naturalmente interagir também: dificilmente se forma um “discurso supostamente verdadeiro”.

NO PATRIARCADO:

*Questões Ético/ identificatórias:
A Lei ordena que exista o certo e o errado, e que isso defina a “verdade de um só conceito/ discurso”; logo, consequentemente existirão o "totalmente certo" e o "totalmente errado", o Sagrado e o Profano, a Virtude e o Pecado, o (a) Senhor(a) e o (a) escravo (a), o “ são” e o “louco” , o “brega” e o “chique”, etc.

NO MATRIARCADO:

*Questões de Desempenho:
Humor e criatividade são valores positivos.

NO PATRIARCADO:

*Questões de Desempenho:
Circunspeção e perícia são valores positivos.

NO MATRIARCADO:

*Questões de sexo e interdição:
A materialidade tem “alma” (tem sentido); logo, a sexualidade vai além dos genitais para ter um sentido; “ter sentido” é um valor positivo.

NO PATRIARCADO:

*Questões de sexo e interdição:
Sexo no genital; almas vão para o “céu”, pois o “sentido” está lá (no “triunfo”); logo, num universo de divisões, dualidades, sexo é demoneizado: ou reprimido, ou per-vertido. (Di-abo: 'di' é prefixo de “divisão”, "dois”). “Poder” é um valor mais positivo que “Fuder ”, se comparados (como diria, com propriedade e prazer, William Reich), o que esclarece, em parte, a frequência do sexo com violência (estupros, pedofilia, por exemplo) .

NO MATRIARCADO:

*Questões de Lenda:
Dar é dividir: “Vou botar esta semente no seu jardim; quando a árvore nascer, os frutos são nossos.”

NO PATRIARCADO:

*Questões de Lenda:
Dar é perder: “Vou botar essas moedas na sua bolsa; quando a bolsa estiver cheia, ela é minha ”.

A tudo isto, somaria, MAIS ALGUMAS PERGUNTAS:

-Um “matriarcado” seria então uma "idéia", uma “utopia plausível”, ou não?

-Enquanto isso, o “patriarcado” seria um “fato”, (a “realidade” da maioria) mesmo que “em crise”?...

- “Fratriarcado” seria um conceito em processo de construção no imaginário de sujeitos reflexivos pós modernos (como intuído, por

exemplo, pelo compositor Caetano Veloso (LP 1980),

...”Eu não quero pátria, tenho mátria, e quero frátria ”...,

e por artigos da psicanalista Maria Rita Khel (1996), onde ela freqüentemente pergunta “se não seria sintomático que se fale tanto de pais e filhos, e tão pouco sobre irmãos”?

-Deixaria a psicanalista inglesa Juliet Mitchell (2001) mais feliz, pensar que deveríamos caminhar em busca de um Descendriarcado”, na medida em que ela costuma exortar seus leitores a não pensar mais nos homens, nem nas mulheres, e sim nas CRIANÇAS?

-Observemos diferentes culturas, diferentes grupamentos humanos ao redor do globo.

Se, simultaneamente, planetariamente, convivem no mundo pessoas/grupos que estão num “quase neolítico” + outros que

estão numa “quase Idade Média” + outros que “já” estão numa“quase realidade virtual” etc., poderíamos considerar a

interferência (também) de um viés diacrônico (temporal, baseado no tempo) tocando os conceitos de “matriarcado” e “patriarcado”?

E, mais que isso, considerá-los como duas opções (reflexivas e flutuantes) de “ethos”, em pleno (ainda!) estágio de

desenvolvimento e mediação, num movimento de ensaio e erro,

em tentativas de organização para a sobrevivência da

humanidade?...

Faltam respostas, mas as QUESTÕES abundam...

DEUS / DEUSA / DEUSES têm sexo / gênero definíveis?... Por quem? Para quem? A quem ainda serve isso?...

Claro que existem muitos outros perfis de expressão de religiosidade bastante diferentes dos apresentados nas Religiões ditas Tradicionais aqui apontadas, mas para quê falar de tanta coisa num só texto (e de um mero BLOG), não é?...

Não pretendo parar de escrever, nem de ler, nem de tirar partido dos “comentários” que recebo, tão cedo.

Hans Jonas (único homem, o único amigo, a “ter o topete” de apelidar Hannah Arendt: “Hannah, a ousada”) prefere, como reflexão, perguntar em “O PRINCÍPIO VIDA - FUNDAMENTOS PARA UMA BIOLOGIA FILOSÓFICA” (Editora Vozes, 1972 / 2004), “QUE TIPO DE DESEJO TERIA EMERGIDO NO INORGÂNICO (porquê, quando e como?), GERANDO ALI O ORGÂNICO ?”, fazendo não um exercício de fé, mas sim uma espécie de “psicanálise do Big Bang”; pergunta esta que aqui (por motivos óbvios de espaço e tempo) está grosseiramente resumida por mim... Que delícia é pensar!

Prefiro ser arrebatada pela liberdade de pensar, de refletir, do que pela mera em alguma paternidade divina (onipotente, onisciente, onipresente) ... e frequentemente exigente, irresponsável e mesmo implacável.

Para minha sorte, meu próprio pai terreno era meio “levado”, totalmente "humano", mas me comprava mais livros que bonecas; nada impecável, mas nada “burrinho”; graças aos bons “deuses”!...

Finalizando com alguém bem mais “lá de trás”:

...”Não se deve pedir aos deuses senão o que convém a corações mortais. É preciso ter o olhar fixo nos próprios pés, para nunca esquecer sua condição. Não aspires, minha alma, a uma vida imortal; pelo contrário, exaure o campo do possível”...( Pítica, 3,59 -62: Píndaro, citado por Brandão, J.; 1992, p.130) .


Ilustração : MARCEL DUCHAMP - Ready Made

6 comentários:

Thalia disse...

*** O trabalho bem

executado, traz-nos a

alegria do dever

cumprido."
(Autores desconhecidos) ***

Thalia disse...

*** PARABÉNS PELO

TRABALHO!!!!!!!!

A FELICIDADE DO SER HUMANO É CONQUISTAR SEMPRE UMA NOVA ETAPA EM SUAS VIDAS E VC CONQUISTOU MAIS UMA............

BNJHS E BOA SORTE!!!!! QUE CONSIGA MUITO MAIS...... THALIA

Paulo Carvalho disse...

Nooooooossa!!!!!!! Quanta coisa! Quantas idéias! quanto trabalho duro!
Espero que o retorno seja tão fértil quanto o que vc coloc nesse espaço. Vida longa ao seu blog.
Adoro vc.
Paulo Carvalho

André disse...

"..Não há solução, porque não há problema..."

Isso me lembra uma genial de Paulinho da Viola:


Solução de Vida (Molejo Dialético)
Paulinho da Viola


Composição: Paulinho da Viola e Ferreira Gullar

Acreditei na paixão
E a paixão me mostrou
Que eu não tinha razão

Acreditei na razão
E a razão se mostrou
Uma grande ilusão

Acreditei no destino
E deixei-me levar
E no fim
Tudo é sonho perdido
Só desatino, dores demais

Hoje com meus desenganos
Me ponho a pensar
Que na vida, paixão e razão,
Ambas têm seu lugar

E por isso eu lhe digo
Que não é preciso
Buscar solução para a vida
Ela não é uma equação
Não tem que ser resolvida

A vida, portanto, meu caro,
Não tem solução

Quatro Asas disse...

Cristina,

demorei pra responder porque o texto é meio longo, e eu quis lê-lo inteiro. Refiro-me ao mais recente, sobre Ética e Estética.
E acho que o problema é que eu tô ficando véio e ranzinza. Assim, acho que tem muitas coisas interessantes, mas acabo com a sensação de que é um embasamento teórico extenso e exaustivo (no sentido da completude) para uma conclusão algo datada. Talvez por motivos óbvios, a polaridade segundo a qual o feminino é libertador e o masculino repressor é meio antiquada pra mim. Mas posso estar falando isso apenas porque sou homem, e portanto, nada dadivoso – ao menos, visto deste mesmo mirante. O fratriarcado como opção? Talvez.
Mas faz tempo que perdi o saco pro Caetano também. E depois que ele falou que o Noel Rosa é racista, aí é que não sobrou nada mesmo.
Outras coisas no blog são lindas, os vários personagens históricos e sempre atuais, as suas fotos, você. Adoro sua imagem sorridente, é a lembrança sua que sempre me vem. E a ilustração do Matisse quase me deu um troço, porque a Bella, cerca de dez anos atrás, me deu um postal com aquela imagem, acredita?
Vou continuar visitando, lendo e comentando, pouco a pouco.
Mil beijos procê!!!!

Fernando

isabella disse...

Compartilho da idéia de um “casamento plausível entre ÉTICA e ESTÉTICA”, e diria necessário. Se boa parte dos espaços de interação ainda aposta na diversidade como rivalidade, o nosso desafio é propor outra abordagem, no sentido que todos nós possamos crescer com a soma e interseções de nossas diferenças.
Adorei sua foto na Amazônia e seu sorriso largo, desde muito aberto ao novo.
Parabéns pelo Blog.
Beijo-lhe
Bella