domingo, 12 de julho de 2009

MASCULINIDADES E RELIGIOSIDADES

OBS.: “Repesquei” uns três fragmentos de um texto que está bem mais abaixo, sobre o sexo de deus; se alguém encarar a leitura desse novo exercício de capítulo aqui, e tiver interesse, desça até lá depois, ok?...Se der preguiça de ler tudo, que tal ir consultando os subtítulos, e ler pedaços?...

***

Creio já ter, nos textos anteriores, deixado clara a minha DESCRENÇA NA IMPECABILIDADE.

A ética mora na BUSCA, na BRIGA interior; o ponto principal dessa busca e dessa briga é BUSCAR, a cada segundo, UMA ÓTICA severamente CRÍTICA, e BRIGAR, a cada segundo, CONTRA a submissão ao SENSO COMUM, à “massa obediente”, à “galera”, à “patota”... à frequentemente adestrada “BOIADA humana”...


Tradição, Patriarcalismo, Patrimonialismo e Populismo: sempre de braços dados?

Algumas mulheres, como a representante da Teologia Ecofeminista no Brasil, a Irmã Ivone Gebara, consideram que um “Deus Pai” seria “alguém que jogaria CONTRA ELAS, MULHERES“, inclusive nas instituições religiosas:

...”O Deus fora de nós era apresentado como Todo-poderoso e ao mesmo tempo pai. O Deus fora de nós tornava-se facilmente a Lei que nos julga a partir de mandamentos ou de preceitos preestabelecidos ditos como verdades sobre Deus e sobre sua vontade. A imagem de um Deus fora de nós podia facilmente ser identificada à imagem do homem como legislador dos comportamentos da mulher. Daí a submissão da mulher e da religiosa em particular aos pontos de vista do clero ou dos teólogos sobre aquilo que era de foro interno ou pertencia ao domínio da vida cotidiana...

...O Deus presente em nossa interioridade, era frequentemente vivido como uma Lei interna que nos levava a contrariar nossa vontade e a nos submeter a outras vontades"...

...Nesta reflexão estou procurando acentuar mais um lado da moeda para fazer ressaltar a necessidade de uma postura mais livre e respeitosa da realidade da Mulher...”

..."O Deus presente em toda a parte, para além de sua realidade de fé, era também vivido numa perspectiva de coação, ou seja, de uma divindade que a todo instante está a observar, exaltar ou condenar nossos atos. Muitas mulheres viviam mais uma experiência de medo de Deus, o que as tornava ainda mais oprimidas...”

...”Além disso, inconscientemente talvez, os homens da instituição religiosa sentem-se mais próximos da divindade projetada como masculina pela cultura patriarcal. Por isso, em nome da tradição, dificultam qualquer reflexão que possa questionar suas imagens teológicas e temem qualquer partilha efetiva do poder sobre o sagrado. Submetem as mulheres e estas se submetem (nas instituições religiosas), muitas vezes com evidente prazer, à mesma domesticidade vivida no lar “... (Gebara, I.;1990 p.22 e 23, e 1992, p.46 e 47; parênteses e negritos meus).

Enquanto isso, alguns homens que também unem as questões religiosas às de gênero, como o Psicanalista e Rabino H. Eiberg-Schwartz, consideram que um “Deus Pai” seria “alguém que jogaria contra ELES, HOMENS“:

..."Ao compreender a imagem de um Deus masculino como um símbolo que gera conflitos para os homens, sigo certos impulsos contidos em escritos feministas contemporâneos sobre gênero" ...

..."Uma divindade masculina gera vários tipos de tensões para os homens e para a masculinidade. Estes são conflitos que têm sido amplamente ignorados nos recentes escritos sobre religião. A masculinidade é uma construção simbólica em conflito com si-mesma. E, como o feminino, o masculino humano é confrontado por uma divindade que é "outra", embora de modo diferente do que é para as mulheres. A projeção masculina, então, não é de modo algum tão direta e não - problemática como muitos intérpretes pensam ou desejam. A masculinidade é ameaçada pelas próprias construções que parecem inicialmente torná-la possível, e os seres humanos do sexo masculino são diminuídos e ameaçados pela projeção que legitima suas posições sociais e seu poder"... (Schwartz, H.E.1994, p.32, 33, 35; negrito meu).

Outras, profissionais de diversas áreas, todas feministas (algumas neo-pagãs) norte americanas, priorizam o debate sobre um “Deus Pai” ser “alguém que jogaria CONTRA TODOS”:

..."Uma parte do profundo mal - estar do sonho masculino são suas projeções, que fazem com que o homem nunca encontre a verdadeira identidade da natureza ou das mulheres. Em suas projeções psicológicas sobre a natureza ou as mulheres, os homens têm utilizado sua imaginação simbólica masculina para projetar sobre as mulheres tanto um status (inferior) quanto qualidades (passiva, emocional, sexualmente receptiva assim por diante). Foram essas projeções da imaginação simbólica masculina que, incorporadas em mito, religião, e papel social, mantiveram por milênios a verdadeira identidade e o poder femininos "no armário" da opressão. A mesma projeção e a mesma opressão foram feitas com relação à natureza. Os homens projetaram qualidades femininas na natureza”...

..."Estou perturbada pelo fato de que hoje uma parte da imaginação simbólica feminina esteja dando continuidade a simbolizações masculinas da natureza, antigas e inadequadas"...

"...Nos círculos da Nova Era, muita gente está adotando de forma não crítica a hipótese Gaia, mesmo que em certos aspectos críticos ela seja fruto dessa imaginação masculina velha e cansada..."(Dodson Gray, E.; org. por Nicholson, S.; 1993, p. 287 e 288; negrito meu).

Exemplifico as possibilidades de debate - aqui - com pequenos trechos de apenas três autores, mas a bibliografia sobre essa discussão já é vastíssima! LOGO, eu - que não tenho como afirmar sequer “se deuses existem” - passo a ter ao menos a certeza que a masculinização ou a feminização projetadas em imagens de deuses, e em seguida reintrojetadas em nós, mobilizam pensamentos, sentimentos, comportamentos, íntimos e públicos, de maneira eloqüente e significativa.

Agravante: sabemos que há novos (e futuros) meninos e meninas cujas próprias vidas, cuja própria sobrevivência, depende DESSA identificação, desta definição imagética do “DIVINO” e suas conseqüências (Somália, Sudão, Faixa de Gaza, Afganistão, Caxemira, etc)...

Há comportamentos íntimos que alimentam comportamentos públicos: catequeses baseadas ora em mera educação tradicionalista, ora em persuasão com direito a lavagem cerebral, ora em franca violência; associações político-econômicas-bélicas justificadas pela religiosidade, etc.

Todos estes comportamentos têm (ainda) enigmática, discutível, “qualidade civilizatória”.

Pergunto: entre as chamadas Maiores Religiões Tradicionais (cristianismo, judaísmo e islamismo) onde estão as propostas religiosas - por exemplo - para utopias plausíveis que “religuem”, colaborem, (de fato) em processos de desreificação e coesão social, como promete melifluamente a palavra RELIGIÃO? Certamente que não estão na meia dúzia de interesseiras atividades assistencialistas que AINDA predominam!...

LOGO, com isso, falo de ética; e pergunto mais: como lidar com justiça, liberdade, igualdade, diferenças, etc., especialmente quando ESTA lida precisaria começar no próprio universo da religiosidade escolhida (envolvendo seus segmentos íntimos e públicos), se esta depende de decálogos e tabus ancestrais, muitas vezes cinicamente impostos, conduzidos e explorados?

A imagem do Deus do Catolicismo e dos Cristianismos, do Judaísmo e do Islamismo assume (opta por) esta fálica - (quem sabe antes falida?) - imagem de “Pai” patriarcal / patrimonialista.

Quando o padrão da Tradição é o patriarcal, tende a vir carregado com imagens de “Pais / Patronos / Patrões / Soberanos”, tendendo igualmente a aderir ao retrato de uma crise, que aparece, também, em diversas (outras) instâncias humanas; por exemplo: em regiões em crise organizacional, onde emerge repentinamente um “líder” populista, um “papaizão-do-povo” que - supostamente - vai “botar ordem na casa” (sabemos o quão frustrantes, desastrosas e perniciosas costumam ser também aí as consequências...).

Frequentemente (em todas essas situações) é como se todos os seres ali envolvidos fossem se “desalfabetizando” do EXERCÍCIO DE SE RESPONSABILIZAR (“papaizões” tanto da terra quanto do céu ‘tudo resolvem para nós’, ‘eles é que sabem o que é melhor para nós’, etc...).

Digo que uma coisa é “gerúndica” quando ela acontece na “eternidade plausível”: no “aqui e agora”.

DEUS / DEUSA / DEUSES existem?

Digamos que existam (a metáfora é uma coisa que ‘existe’, afinal); têm sexo / gênero definíveis?...

Por quem? Para quem? A quem ainda serve isso?...

Hans Jonas (único homem, o único amigo, a “ter o topete” de apelidar Hannah Arendt: “Hannah, a ousada”) prefere, como reflexão, perguntar em “O PRINCÍPIO VIDA - FUNDAMENTOS PARA UMA BIOLOGIA FILOSÓFICA” (Editora Vozes, 1972 / 2004), “QUE TIPO DE DESEJO TERIA EMERGIDO NO INORGÂNICO, GERANDO ALI O ORGÂNICO”? (porquê, quando e como?), fazendo não um exercício de fé, mas sim uma espécie de “psicanálise do Big Bang”...

Pergunta esta que aqui (por motivos óbvios de espaço e tempo) está grosseiramente resumida por mim...

...”Não se deve pedir aos deuses senão o que convém a corações mortais. É preciso ter o olhar fixo nos próprios pés, para nunca esquecer sua condição. Não aspires, minha alma, a uma vida imortal; pelo contrário, exaure o campo do possível”...( Pítica, 3,59 -62: Píndaro, citado por Brandão, J.; 1992, p.130) .


Se o domínio da autonomia sobre a própria sexualidade for um “desafio” feminino, seria o domínio da autonomia sobre a própria intimidade / vida subjetiva, um “desafio” masculino?

Quando me preparava para mais uma pesquisa sobre masculinidades, esta com apoio acadêmico, tomei conhecimento de outra pesquisa que estava em andamento em outra universidade (ainda não publicada!) da Antropóloga Dra. Helena Theodoro, auxiliada por sua mestranda, a médica ginecologista e homeopata Mariana Maldonado.

Esta pesquisa mostrava que as mulheres educadas no Candomblé não só crêem transitar melhor no campo da sexualidade (cujo exercício não impõe culpa de espécie alguma), mas também, posteriormente, dispensam recursos como a reposição hormonal ao chegar à menopausa, que é declarada como ”praticamente assintomática e estimulante à prática sexual na maturidade dessas mulheres”, como descrito pelas pesquisadoras.

Intuindo que aquele “filão” de reflexões podia ir além, assumi o compromisso de fazer algum trabalho paralelo, investigando o universo do comportamento masculino.

Isto deflagrou o desejo de desenvolver uma pesquisa com homens “pós-modernos”, cujo “recorte” (recorte da afirmação de sua pós-modernidade) dependesse da religiosidade dos mesmos.

A livre escolha da religião define (e/ou é definida por) outras escolhas identificatórias, e certamente vale a pena colaborar na sua investigação, na medida em que possa nos informar ainda mais sobre o leque de identificação específico que alvejamos: a identidade masculina, ou as MASCULINIDADES.

Não falta bibliografia que assinale o cruzamento do “caldo patriarcal/patrimonial” com a religiosidade (como vimos acima), e do peso mitológico e semiológico que uma imagem prioritária de um “Deus Pai único e soberano” imponha às questões identificatórias e comportamentais de gênero.

Realizei, assim, na época um estudo de caso, entrevistando cinco homens que decidiram seguir a religião Wicca (não tradional, escolhida reflexivamente, independente de orientação familiar ou por modismo circunstancial: seriam as exigências para que identificassem uma religiosidade pós-moderna).

Quanto os resultados, adiantaria apenas que minha amostra me induziu à uma confirmação da contemporânea mobilização masculina para alguns pontos que brotam do tema da inclusão do universo íntimo no processo decisório do universo público, ao menos entre estes homens com um “perfil pós-moderno” confirmado (ali).

Saí das entrevistas e das avaliações posteriores convencida de que a educação das crianças de fato os mobilizavam com um renovado grau de comprometimento, assim como as providências necessárias a manutenção do equilíbrio ecológico.

As informações verbais sobre estes assuntos extrapolam o registro formal para conquistar, em mim, registro de confiabilidade profissional e pessoal: “me convenceram”.

Já em relação a outros assuntos gestados no universo íntimo:

- desejo significativamente intenso de aprofundar a compreensão sobre o conteúdo

e as fronteiras da própria subjetividade, e/ou da própria masculinidade;

- desenvolvimento do hábito de exercício de avaliação dos demais perfis masculinos

familiares ou próximos, verticais (pai, avô, etc.) e/ou horizontais (irmãos, amigos,

colegas, etc.;

- renováveis possibilidades de busca e manutenção de apaixonamentos e/ou de

conjugalidades, entre outros),

, não “me convenceram” na mesma medida...


Religiosidades, nossas reflexões prioritárias, e Pós-Modernidade.

Convivemos com tradições religiosas que honram prioritariamente apenas um “Pai Divino” (cristianismo, judaísmo, islamismo, etc.), e com outras que reúnem “Mães e Pais Divinos” em seus panteões (candomblé, taoísmo, paganismos diversos; Wicca por exemplo).

Logo, religiões tradicionais (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, por exemplo) ou não (Candomblé, Taoísmo, por exemplo), estando associadas - em especial - a atitudes tradicionais/patriarcais, deixaram de me interessar naquele momento, na medida em que as especiais características da contemporaneidade que buscava eram: autonomia decisória nas escolhas, a ruptura com a Tradição, e a busca de alternativas para fenômenos como o patriarcalismo, por exemplo (no nosso caso, especialmente).

Em território brasileiro o Candomblé está instituído há tempo suficiente para que os indivíduos possam já ser influenciados na sua eleição por suas famílias, o que acontece com freqüência cada vez maior, como registrado recentemente inclusive pela imprensa, a partir de matérias sobre o último Censo/IBGE, como a de “O Globo”, na página 13 do Caderno “O País” de 19 de maio de 2002.

Assim, embora coloque "Mães e Pais Divinos" lado a lado em seus altares, não se identifica mais com o teor de capacidade de independência de tradição familiar no momento das escolhas.

Após visitas a templos Taoistas, verifico que (mesmo com “Mães e Pais Divinos” em seus altares), não só há predomínio de monges do sexo masculino, como toda a administração segue clara relação hierárquica ainda vertical (aliás, alguns deuses masculinos são chamados sintomaticamente de “Generais”); assim, o modelo patriarcal de comando masculino, e o de verticalização hierárquica, são tão obedecidos quanto nas religiões tradicionais patriarcais.

Além disso, é uma religião oriental, e (desde os anos 60) instalou – se uma atração/fascinação do "Ocidente" pelo "Oriente" (num primeiro momento um espontâneo e legítimo movimento de sedução pelo "diferente", pelo "Outro" que satisfaz a curiosidade e a fome de “novidade”).

Mas isso acabou sendo (como muitas outras coisas) captada pelos responsáveis pela comercialização das idéias cooptadas pelos “vendedores oficiais de modismos“ empresariais e da mídia.

Assim, eu correria o risco de ver a imposição da tradição familiar na eleição de uma religião ser substituída - neste caso - pela pressão cultural patriarcal (vertical, “por decreto”), inclusive a relacionada ao comando do Mercado, interessado nos modismos, e - no caso - no rentável "modismo orientalista".

Quanto o Budismo, seus próprios seguidores fizeram questão de deixar claro que é antes um sistema de pensamento que uma religião; seria um LONGO debate à parte, que traria um complicador teórico/prático à pesquisa.

Eu precisava de REFLEXIDADE AUTÔNOMA.

A religiosidade mais indicada (entre 2002 e 2003), a princípio, estava entre as emergentes/reemergentes, as neo-pagãs, a Wicca: era ainda pouco conhecida, ainda pouco divulgada, confundida (com razão?) freqüentemente com sincretismos e esoterismos diversos.

Agora (2009) me parece já cooptada a ser transformada em (mais um) modismo (rentável), para muitos...


Para quem (mesmo assim ainda) não conhece religiosidades emergentes/reemergentes como a Wicca, e nem sabe que elas são “primas” dos movimentos feministas, GLBT, e Verde (daí continuar interessante simbólica e comparativamente para estas reflexões).

Pagã, panteísta, desenvolvida na clandestinidade por séculos, foi em suas expressões mais antigas perseguida pelos religiosos tradicionalistas (como na Inquisição, ou em Salem , por exemplo) .

Voltou a ser especialmente examinada, e comentada discretamente, sem repressões violentas, entre o final do século XIX e o início do século XX, por grupos que sempre mesclaram artistas e membros de grupos herméticos (Arthur Machen, Aleister Crowley, Lady Frida Harris, William Butler Yeats, Algernon Blackwood, McGregor Mathers, Wynn Westcott, Arthur E. Waite), e “retomada” como teoria e prática regular nos anos 40/50 especialmente por Gerald Gardner (entre outros), com seguidores que se multiplicam, com identidade própria (o que esta religião permite e estimula), até hoje.

Muitos dos meus entrevistados optaram, dentro das opções wiccanianas, pela Tradição Thelêmica de Aleister Crowley, que a partir dos anos sessenta foi “redescoberto”, enquanto sua trajetória era comparada com a de William Reich!

Crowley chegou – curiosamente - a se corresponder com Fernando Pessoa...

Nos anos 40/50, na Grã - Bretanha, o movimento se deveu a alguns estudiosos de religiões comparadas e artes (clientela típica envolvida na história da criação e desenvolvimento da Wicca), preocupados com o caráter excludente e hiperracional das religiões tradicionais.

Eles reorganizaram dados convergentes sobre os mais antigos rituais de fertilidade, fúnebres, e escatológicos, e mitologias diversas (especialmente a grega, a celta e a escandinava, mais próximas dos primeiros organizadores da idéia).

Foi em seguida que veio o grande pico da emergência dos movimentos feministas, que - num movimento de identificação de projeto - acolheram o resultado teórico/ritualístico deste estudo, ora simbolicamente (como simpatizantes), ora como concreta opção religiosa.

A emergência dos movimentos ambientalistas e ecológicos/“Verdes” passou pela mesma experiência identificatória com a Wicca, assim como o movimento GLBT.

Esse curioso “congraçamento emergencial de identidade de projetos” da Wicca com os atores sociais que foram emergindo no século XX, a associa mais uma vez não só à Pós-Modernidade, mas também às nossas prioritárias reflexões, aqui.

Na Wicca não há “texto sagrado definitivo”, “templo localizado ou definitivo”, “sacerdotes supremos”, nem “rito único ou definitivo”.

Sua prática foge não só do “discurso verdadeiro”, mas também da “formalização verdadeira”, ou de “hierarquias verdadeiras”. Não só há diferentes “Tradições”, propostas pelos primeiros “desbravadores”, ou por mitologias de antigas culturas (celta, viking, etc.), mas também seus membros são livres para introduzir suas reflexões (ou hibridismos) particulares em suas práticas da Arte (como é curiosamente chamada a prática de suas atividades!).

No Brasil, ganhou fôlego significativo (como em todo mundo) na mesma medida em que algumas facções do feminismo e do Movimento Verde foram sendo implantados, especialmente a partir dos anos 80, pelos herdeiros da “busca espiritual” típica dos anos 60/70.

Através de uma Deusa tripla (o teor revolucionário de juventude feminina, a feminilidade sedutora somada ao acolhimento maternal, e a sabedoria das avós, freqüentemente associadas às quatro fases da Lua), e de um Deus duplo, o “Cornífero” (a juventude masculina de um sensual guerreiro músico, e a experiência de um xamânico velho mestre curador, freqüentemente associados ao Sol nascente e ao poente), e de cinco elementos (ar, fogo, águas, terra e éter/sopro de inteligência e criatividade humanas) cultua - na verdade - o meio-ambiente e um ecossistema, que honra a inclusão da própria face humana (o “éter”) como o quinto elemento de seu panteão.


Pecados, Impecabilidades, Perigos, Curiosidades.

..." Vale a pena registrar que, para o Malleus, pecado é praticamente a mesma coisa que "carnalidade", especialmente o prazer sexual. Esse "apelo da carne" é supostamente "encarnado" na mulher e constitui o cerne de todo mal"...(Whitmont, E.; 1982, p.144).

Pecados de mulher, pecados femininos, pecados interditados ao homem e/ou ao masculino; aos olhos - é claro - do contingente conservador, reacionário, filicida.

...”Só a ressurreição da carne me sustenta. É ela que constitui a última utopia humana, o projeto essencial ao qual se refere e se alimentam todos os projetos”...(Pellegrino, H.; 1980; p.101da revista P. Ciência e Profissão, n. 4 de 2001).

Mas, ao verificar que:

- Quando falo de “masculino”, posso estar falando (para alguns) de “impecabilidade”, e

outros conceitos que aceitariam a “etiqueta de Apolíneos”;

- Se, quando falo de “feminino”, posso estar falando (para outros alguns) de “pecados”,

e outros conceitos que aceitariam a “etiqueta de Dionisíacos”,

, pode se tornar muito esclarecedor lembrar que estarei pensando também em ESTÉTICA: estilísticas, comportamentos individuais e/ou de grupos sociais íntimos e públicos que “se exibem” performaticamente, transitando na sociedade sem medo nem do patético nem de uma pequena cota de pura diversão, retratando à nossa volta a tragédia, o drama, a comédia, climas emocionais ora “clean” , ora “noir”, etc., “se” auto-retratando, exibindo estilos desse viver, retratando em si mesmos suas escolhas, e exibindo - as. Estética, mesmo onde a Arte não aconteça.

Lembro mais uma vez (para quem não prestou atenção) que, curiosa e coincidentemente, a prática da Wicca é também chamada de “Arte”...


Afinal, o que querem os homens?...(Ou “marcusemente”: O que querem os desejos dos homens?...).

...”O que os homens desejam? Em certo sentido, a resposta tem sido clara e, a partir do século XIX, compreendida por ambos os sexos. Os homens querem status perante os outros homens, conferido por recompensas materiais e associado a rituais de solidariedade masculina. Mas, aqui, o sexo masculino interpreta mal uma tendência - chave na trajetória do desenvolvimento da modernidade. Os homens procuravam obter a auto-identidade no trabalho, e - em geral, devemos sempre acrescentar - não compreenderam que o projeto reflexivo do eu envolve uma reconstrução emocional do passado para projetar uma narrativa coerente em direção ao futuro. Sua confiança emocional inconsciente nas mulheres era o mistério cuja resposta eles buscavam nas próprias mulheres, e a busca pela auto identidade ficou dissimulada nesta não reconhecida dependência. O que os homens queriam era algo que as mulheres, de certa forma, já haviam alcançado; “... (Giddens, A.;1992; p. 71).

A. J. Drew (2002), um sacerdote Wiccaniano norte-americano que decidiu refletir sua religião (e outras questões) compartilhando-o com os homens, diz que (diante de todos os equívocos conseqüentes do patriarcalismo que tem visto) embora seja heterossexual, prefere ter, neste momento de sua vida e da história, como arquétipo masculino (já que reconhece que ainda não sabe responder o que é exatamente o “masculino”), Brandon Teena, a quem - por isso - dedica o livro “Wicca para homens”.

Brandon, é o transexual retratado por Hollywood no filme “Meninos não choram”.

Para o autor Wiccaniano, essa é a imagem mais próxima de alguma coisa empática que ele gostaria de descobrir ter como “masculinidade”, inclusive porque Brandon, ao morrer, não implorou pela própria vida, e sim pela vida de pessoas que o tinham ajudado antes.

...”Os Wiccas geralmente vêem o Criador como externo e interno. Todas as coisas, inclusive os seres humanos, são parte do Criador. Porque todos os homens (sexo) e mulheres (sexo) têm tanto características masculinas (gênero) quanto femininas (gênero), é mais fácil para os homens encontrarem os princípios masculinos de sua alma (Deus), e mais fácil para as mulheres encontrarem os princípios femininos de sua alma (Deusas). Isso acontece porque os homens têm mais atributos masculinos que femininos, e as mulheres mais atributos femininos que masculinos. Permanece a questão óbvia: O que é masculino?... (Drew, A. J.; 2002 , p.36).


Culturas: na Fé, Traduções plausíveis.

Os fenômenos (individuais e/ou coletivos) que giram ao redor das instituições religiosas tradicionais ou não, (feliz ou infelizmente?) mobilizam muitas coisas além da “expressão de fé” e/ou do “êxtase religioso”.

Um recente e local exemplo prático, é a conseqüência da diferente postura da Igreja Católica e dos Pentecostais diante de seu “público”, e a diminuição de “público” para a primeira, e o aumento para os segundos, ao menos circunstancialmente; patrimonialismos em pauta...

...”nos anos 70 e 80, a participação em igrejas evangélicas também produziu certos efeitos políticos. Enquanto as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base, movimento católico) politizavam categorias religiosas’, no mesmo período (e muito mais localizadamente), pentecostais ‘religiogizavam categorias políticas’ e entravam em lutas sociais ‘em nome de Jesus’”... (Novaes, R. R.; 2001, p. 78; negritos meus).

Toda instituição religiosa é - afinal - constituída não por “marcianos” ou semelhantes, mas por seres em processo de humanização movidos pelas mesmas falhas, qualidades, preferências, ideologias, diferenças, temperamentos, etc. que se exibem em quaisquer outros grupamentos humanos.

Logo, inevitáveis paixões, equívocos, rivalidades, “adesões ideológicas”, “facções” e/ ou “dissidências” (discretas ou não) emergem de qualquer categoria hierárquica de quaisquer lideranças em todo grupo religioso.

...”uma religião é um sistema solidário de crenças seguintes e de práticas relativas a coisas sagradas, ou seja, separadas, proibidas; crenças e práticas que unem na mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os a que ela aderem”...”a idéia de religião é inseparável da idéia de igreja, faz pressentir que a religião deve ser coisa eminentemente coletiva”...(Durkheim, É.; 1989, p. 79).

Nas religiões tradicionais a hierarquia existe (assim como toda a disputa mais ou menos surda pelos cargos que ela distingue), é verticalizada, com foco prioritário nas suas lideranças masculinas; os templos que abrigam os membros envolvidos são edifícios concretos, cujo fausto (patrimonialista) maior ou menor reproduz freqüentemente o que acontece nessa hierarquia; logo, há uma instituição em jogo, cuja sobrevivência precisa ser financeiramente tão providenciada, quanto o é a fogueira de vaidades que costuma queimar ao redor do poder envolvido na manutenção de todo “o prédio” de quaisquer instituições humanas.

O conceito “Tradição” parece amparar com suporte supostamente sólido, especialmente se pensamos nesta Tradição em relação aos grupos religiosos: passado respeitado, estabilidade. Mas:

...”Nesse novo mundo, as tradições foram colocadas a descoberto e a sociedade parece exigir que elas se expliquem, contrariando a clássica definição de Max Weber, segundo a qual, a tradição se explica por ela mesma”... (Raposo, E.; 2002, p.142 e 143) .

A instituição religiosa igualmente (é claro) não existe sem seu contingente de “fiéis”, “seguidores”, ou “simpatizantes”, que - por sua vez - fazem parte, também, do universo laico que habitam.

(Não esqueçamos de questionar: “gado humano”, adestrado para ser “gado humano”, pode ser chamado de “FIEL” a alguma fé ou grupo, genuinamente?...)

No momento, quaisquer fiéis de quaisquer credos, compartilham também (para o bem e para o mal) o planeta Pós Moderno e Globalizado.

...”O caráter permanentemente migratório da Pós Modernidade penetra no âmbito do sagrado e provoca um fenômeno que se caracteriza como nomadismo místico. Mesmo permanecendo nominalmente vinculado a alguma forma tradicional de culto, que em geral herdou do berço materno, a tendência religiosa do homem pós-moderno é um trânsito constante pela constelação religiosa, compondo, nessas inúmeras viagens, um sentido para a existência”...( Queiroz, J. J.; 1996 , p. 16 e 17; negritos meus).

Planeta cuja Política, cuja Economia, cuja Cultura, procurei descrever até agora, embora especialmente preocupada com uma fatia específica de sua Psicossociologia: a Identidade Masculina.

O conceito “Tradução”, interpretado como “transporte entre fronteiras” (como diria Salman Rushdie), parece amparar com melhor qualidade quaisquer tradições, inclusive as religiosas, arejando-as e permeabilizando-as, o que - teoricamente - vai lhes proteger bem melhor das “chuvas e trovoadas” de migrações, demais abalos e anomia, característicos de nosso tempo reflexivo, instável, talvez caoticamente criativo, garantindo (ao menos provisoriamente? ) sua sobrevivência.

...”Desponta um novo caminho da religião que, em muitos aspectos, se afasta dos moldes tradicionais. Aderindo à corrente que interpreta a Pós Modernidade como fase de transição e um período inacabado da história humana, como uma fase heurística, na qual a humanidade está em busca de algo novo, enigmático, acredito que a religião e o sagrado também se encontram numa virada de mudanças, um tempo que afirma ainda muitos valores tradicionais, ao lado de novas posturas, tudo isso num clima em que emergem muito mais paradoxos e contradições do que certezas”. (Queiroz, J. J. , 1996, p. 15; negritos meus) .

Catolicismo, Protestantismo e Pentecostais, Judaísmo, Islamismo, Budismo, Induismo, Espiritismo, Umbanda, Candomblé... em território brasileiro, são neste momento definidos como tradicionais: tem disputadas hierarquias, templos (mais que) concretos, finanças e negócios próprios, conforme a mídia que detém no momento podem se tornar “a religião da moda”, e freqüentemente são “passadas adiante” aos descendentes pela própria estrutura familiar.

O universo igualmente (ainda) patriarcal da Política transita e dialoga com este mundo religioso sem a menor cerimônia, inclusive quanto a comunhão com suas finanças; escândalos que mesclam templos, política e dinheiro eclodem com razoável freqüência.

Numa freqüência nem tão menor assim, ora sexo, ora suas per-versões, também costumam se fazer presentes neste milk shake, do qual tenho certeza não ser sequer necessário fazer citações jornalísticas ou policiais que o comprove “academicamente”.

Os próprios teólogos contemporâneos assumem que a situação clama por reflexão.

...”Diante deste mundo, que profanou o sagrado e abriu cicatrizes profundas no coração humano, o homem não tem em quem se apegar. As instituições civis e religiosas do passado não lhe oferecem segurança. A política e o poder embrenharam - se num mar de corrupção. O sistema econômico despiu o véu e o halo da ilusão religiosa , e se manifesta em toda a sua crueldade”...(Queiroz, J.J. 1996 , p. 19; negritos meus) .

Acredito que o tema do perigoso “namoro” entre Estado e Religião, e de seu conseqüente “filho”, o Fundamentalismo, que tem ocupado o dia à dia mundial, inclusive o brasileiro, cada vez com maior freqüência.

Merece cuidadosa reflexão a perigosa caracterização confessional do possível ensino de religião na rede pública (em detrimento de uma linha ecumênica), e a (conseqüente) desproporção brutal de reserva de vagas para um próximo concurso público (que chegou a ser suspenso por um Desembargador) para estes professores de religião, onde uma fatia suculenta seria destinada ao catolicismo e aos evangélicos, enquanto 26% seriam destinadas “às OUTRAS” religiões...

Se a linha adotada para este específico e delicadíssimo curso, e os critérios de seleção do concurso, já mereciam reflexão, esta “curiosa distribuição” aponta manipulação desrespeitosa até mesmo da inteligência do cidadão, denunciada (feliz e surpreendentemente) por esta recente e bem vinda (mesmo que por enquanto frustrada) instância judicial.

O concurso e a estrutura do curso continuam sendo debatidos.

A imprensa escrita e falada noticiou que o Juiz norte americano Alfred T. Goodwin, em junho de 2002, (como uma luz na escuridão que o Presidente Bush também parece impor à política e especificamente à educação norte americana, como consta na minha Introdução), considerou inconstitucional o uso da palavra “deus” no juramento de lealdade aos EUA, feito todas as manhãs nas escolas públicas, a partir da solicitação de um pai ateu.

...”a intolerância pode ser definida como uma atitude de ódio sistemático e de agressividade irracional com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções”...”de caráter religioso, nacional, racial, étnico e outros”...(Rouanet, S. P.; 2003; p.10, Coleção Cadernos Mais! da Folha de São Paulo) .

Também a imprensa começa a dar maior atenção ao movimento auto-intitulado “Bright” (inteligente, brilhante; usado conscientemente como substantivo, seguindo o modelo auto-denominativo afirmativo/positivo assumido anteriormente pelo movimento “gay”, buscando a mesma respeitabilidade e identidade coletiva que o outro grupo conquistou), composto por ateus, agnósticos, racionalistas em geral (alguns cristãos, inclusive), que agora se organizam, como nunca antes haviam conseguido, preocupados pelo mesmo problema; eles fundaram uma página na Internet: www.the-brights.net, horizontalizada, sem chefias ou ortodoxia articulada por manifesto, deixando de se definir como “godless”, ou “sem - deus”, como no passado, e que seria uma forma de identidade negativa .

Assinale-se mais uma curiosidade: em 2005, como a TV norte americana mostrou em alguns programas de entrevistas, quem respondia ali pelos ateus organizados era uma mulher...

Assim como (até!) as religiões ditas tradicionais aprenderam a conviver, dialogar, e a fazer os exercícios da razão e da humildade frente a Ciência, precisarão aprender a fazer o mesmo diante do Estado e da Lei laica, da transformação do comportamento humano, para o arejamento e permeabilidade que garantirão sua sobrevivência;

...”Kul eid ao intá bel khair”...“Tenha prosperidade em todas as comemorações”! (Saudação para um feliz Ramadã).

Pela etimologia, “simbólico” (junção ou união de elementos mesmo quando separados) é o antônimo de “diabólico” (disjunção, dissociação): logo, a “salvação” de quaisquer religiões estará no DIÁlogo com seus próprios DIAbos, os internos em primeiro lugar, mas também com o OUTRO, de maneira a renovar (repermeabilizar?) o espaço para a simbologia que talvez (re)desenhe o caminho para o Sagrado.

Para sobreviver, o que significa inclusive ter e manter adeptos, alguns representantes de algumas religiões tradicionais têm buscado não só novas expressões de suas crença e prática, mas também tentativas de diálogo com as outras religiões,

...”Enquanto a tolerância religiosa é um precursor do Estado constitucional democrático, a própria consciência religiosa tem de se sujeitar a um processo de aprendizado”...”o nexo entre a tolerância religiosa e a democracia se torna acessível a nós por dois lados: pelo lado da política, que ajusta seu fundamento legitimador a um pluralismo de visões de mundo, e pelo lado da religião, que liga as leis da sociedade secular ao seu próprio ‘ethos’”... (Habermas, J.; 2003, p.13, Coleção Caderno Mais! da Folha de São Paulo; negrito meu) .

, num misto (hipercomplexo?) de simulacro e verdade quanto à re-inclusão do tema da alteridade na própria construção da identidade (e conseqüente escolha) religiosa .


Religiosidades humanamente inevitáveis?... Ecumenismo como um movimento revolucionário e/ou de resistência.

A “face simulacro”, à qual me refiro acima, aparece, por exemplo, na dúbia afirmação deste teólogo contemporâneo, certamente cheio daquelas “boas intenções” que - segundo a famosa expressão popular - “levaram muitos aos infernos”:

...”estou convencido de que somente quando a Teologia tiver resolvido os ‘conflitos clássicos’, que arrastamos desde a Reforma, será capaz de criar, teórica e praticamente, ‘perspectivas para o futuro’ e de arriscar, partindo da ‘ecumene’ cristã, dirigir-se para uma teologia das grandes religiões do mundo”...(Kung, H.; 1991, p.22 e 23).

A primeira pergunta (óbvia) a fazer é: POR QUE CRISTÃ?

Um Ecumênico “legítimo” (onde existe, afinal, “autenticidade” em nossos dias?!), incluiria a pagã, ou os pagãos, e/ou quaisquer (outras?) expressões religiosas que não tivessem um Pai Divino e um Cristo (um “Cristo” já distanciado de “Jesus”, alardeado por muitos como deturpadamente patrimonialista e fundamentalista) como centro ou modelo!

Outros”, contemporâneos da Reforma já existiam, continuam a existir, e são tão afetados (e capazes para o debate) pelo que parta dos grupos cristãos quanto estes, em relação ao que aconteça a partir da religiosidade mundial.

Que, no passado, tenham sido deixados de lado, esquecidos, excluídos, e mesmo perseguidos e executados, compreende - se; é história.

Hoje, isso não se justifica mais.

Quem sabe tenham contribuições preciosas para a resolução dos conflitos ditos “cristãos”?

Porque as “propostas de Projeto” deveriam sistematicamente partir dos cristãos, ser “patrimônio cristão”, cristianismo que detém – não o neguemos - em seu próprio leque interno, um significativo contingente de defensores do discurso tolerante, democrático, avesso ao patrimonialismo mesquinho, e simpático a alteridade e ao diálogo?

O “lapso” (digamos assim) do teólogo é assustadoramente significativo, diante de tantas manipulações obscurantistas, aparentemente a nos cercar.

Em 2002, a Universidade Cândido Mendes promoveu um seminário intitulado “Latinidade e Reforma Islâmica”. Um dos convidados foi Alain Tourraine, que - lembrando que todo movimento de modernidade vem das minorias, porque estas é que têm necessidade de afirmar alguma coisa nova - lembrou que as religiões não são incompatíveis com a modernidade.

A modernidade é que teria se descoberto incompatível com a confusão da pluralidade religiosa, na medida em que esta desafia a esperada estabilidade moderna; mas, como cremos (como ele) que somos pós-modernos, reverenciamos as Questões, mesmo enquanto elas estão em aberto, e promovendo uma circunstancial instabilidade.

O Centro Loyola da PUC (por exemplo) é um centro de referência de excelência, tanto do permanente debate (hipercomplexo?) que sirva ao arejamento do próprio universo católico, quanto do Ecumenismo propriamente dito, como sinônimo de foco de resistência às faces conservadoras, fundamentalistas e de simulacro dentro (e ao redor) da Religiosidade, mantendo a todo custo a reflexão e o debate vivos.

Mesmo na laica UERJ, enquanto o Decano do Centro de Ciências Sociais foi o Professor José Flavio Pessoa de Barros, nos anos 90, líderes de todos os grupos religiosos com representação no Brasil se encontraram anualmente na Universidade para debater temas do interesse do país: cidadania, saúde, comunicações, etc., levando em conta a ramificação desses temas dentro de suas Religiões, Igrejas, Templos, e contribuições conjuntas plausíveis.

Na ocasião, tiveram a oportunidade de se articular, ecumenicamente no discurso e na prática responsáveis, pois os encontros duravam uma semana, desenvolvendo estes interesses dentro das próprias comunidades religiosas separadamente, e gerando freqüentes desdobramentos em conjunto.

ONG’s preocupadas com as questões relacionadas às expressões de religiosidade e Identidade, (como o ISER, esta sob a batuta no momento de Regina Novaes), mobilizam a articulação de várias iniciativas no mesmo sentido.

A ECO 92, e seus desdobramentos (por exemplo através do Rio+10), foram exemplos públicos concorridos, e alardeados pela mídia internacional, que provam o poder não só de resistência, mas da própria mobilização de Projetos, que o Ecumenismo também é capaz de provocar, a partir da (no mínimo poética) religiosidade humana.

...”para ele, Rorty, (o sagrado) está numa esperança futura, num estado de coisas em que os homens fossem livres e tanto quanto possíveis iguais”...(Rouanet, S. P.; 2002 , p.11, Coleção Cadernos Mais! da Folha de São Paulo).


Nossos orgasmos, nossos insights, e nossas epifanias (estas ora estéticas, ora propriamente ditas religiosas), nascem da mesma fonte (da face saudável do duelo entre Eros e Tânatos), ao pé da (curotrófica?) IMPONDERABILIDADE que nos cerca, afinal!

Em primeiro lugar o Sujeito, agora, escolhe o DESTINO de seus SENTIMENTOS (desejos?) RELIGIOSOS. Está, teoricamente, livre, inclusive, para aderir “religiosamente” a si mesmo, e ficar responsavelmente satisfeito com isso...

Aliás, Max Weber (1980) “apostava” na secularização a partir da modernidade, mas os eventos pós-modernos têm encaminhado nossa religiosidade hipercomplexamente, para uma secularização ainda MAIS cheia de meandros, que parecem querer traduzir para “a linguagem de nossos dias” coisas (sabedorias? Sentimentos transcendentes?) antigas(os) , arcaicas(os).

...”o acesso à espiritualidade traduz - se, em todas as sociedades arcaicas, por um

simbolismo da Morte e de um novo nascimento”.. (Elíade, M . ; 2001, p.156).

Entre EROS E TANATOS a IMPONDERABILIDADE está posta...

Enquanto o público das “religiões oficiais” foi minguando ao longo do século XX, práticas religiosas ditas “alternativas”, com freqüência baseadas em mitos e ritos antigos (arcaicos?), foram abraçadas particularmente por jovens, e classificadas a princípio, genericamente, como “coisas de new age”.

A maioria entre nosso contingente de intelectuais – por um bom período - se desinteressou não só de se manter hostil às expressões de religiosidade tradicional (como chegou a fazer no século XIX), quanto de se envolver criticamente com estas ou com as “novas” formas que foram emergindo; mantiveram-se indiferentes, a não ser para deixar claro que aquilo era “um assunto menor, mais uma lantejoula na Cultura de Massa, e estamos conversados”...

A partir do momento em que expressões fundamentalistas mostraram o tamanho do estrago que suas garras estavam conquistando, aí sim, ‘religiosidades voltou a ser um “tema nobre”.

O que (ao menos) parece concreto, é a fome de Sagrado que o hiato perplexo que preenche o intervalo entre o nascer e o morrer continua provocando nos seres em processo de humanização:

...”O homem toma conhecimento do sagrado porque este ‘se manifesta’, se mostra como algo absolutamente diferente do profano”... (Elíade, M.; 2001, p. 17).

A idéia da incompatibilidade do secularismo que envolvesse uma religiosidade eroticamente envolvida com uma renovada noção de Sagrado já estava em declínio, especialmente desde os anos 80, mas este se acentuou a partir de eventos que nestas últimas décadas foram “somando”.

Isto talvez tenha culminado no choque (universal?) diante da violência do ataque simbólico do “11 de setembro”, inclusive no que diga respeito às “TORRES” remeterem antes a um “FALO”, simbolicamente exposto como VULNERÁVEL, e efetivamente atacado, que a uma nação, ou mesmo ao que nos habituamos a denominar (excludentemente?) como “O Ocidente”.

Naquele trágico e especial momento, a “Bela Adormecida Utopia” pareceu despertar novamente, no tapa, despreparada, se sentindo obrigada a redescobrir o que fazer da vida...

:...”É da utopia, do mito e das crenças partilhadas que as religiões retiram tanto a

legitimidade para estar junto a grandes faixas da população quanto a sua própria

convicção de competência. Ao mesmo tempo, as identidades e pertencimento

religiosos não são feitos apenas com argumentos de ‘foro íntimo’: a religião se

inscreve na cultura e freqüenta o espaço público, é ‘locus’ de agregação”...(Novaes,

R. R.; 2001, pág. 63 e 64).

A hostilidade da maioria se voltou de tal maneira para as expressões fundamentalistas, que o espaço para a reflexão sobre uma “volta à religiosidade plausível” (e para as “Morineanas Utopias Plausíveis”) voltou a se abrir: toda a Cultura, e (inevitavelmente) sua “irmã má”, a Indústria Cultural, voltam a abraçar os temas da religiosidade e do Sagrado, ou da Religião novamente associada ao Sagrado, mesmo que secularizada.

Livros, filmes, teatro, intervenções performáticas, música, quadrinhos, a moda, a imprensa, a mídia: todos abrem os braços ao Sagrado, aos deuses, à fé, aos Projetos de expressão de religiosidade, especialmente aos que deixem bem claro seus renovados interesses, especialmente os direcionados à alteridade respeitosa.

Em “Tipologia do Ascetismo e do Misticismo” item 2. de “Rejeições Religiosas do Mundo” Max Weber (1980) distingue dois estilos para se “buscar a salvação”, e podemos observá-los alternados em (como sempre, agora) “releituras contemporâneas”:

- “ascetismo ativo” (acompanhados ou não de religião, adesão a hábitos como o naturalismo, macrobiótica, crudigivismo, ou o uso da homeopatia, da medicina chinesa ou ayurvédica, etc.), e

- “a possessão” (acompanhadas ou não de religião assumida, valorização de experiências nos Rituais umbandistas ou semelhantes, Rituais do Santo Daime, no Ritual da Jurema, nos Hare Krishna, com Yoga, retiros para meditação Budistas ou Sufis, etc.), ambos já – como Weber previa – sem perder a referência de “estar-no-Mundo”.

...”A passagem psicológica da posse de Deus para a posse por Deus é sempre possível

e com o místico é consumada”... ...”contrastamos, como renúncias do mundo, o ascetismo ativo, que é uma ‘ação’, desejada por Deus, do devoto que é instrumento de Deus, e, por outro lado, a ‘possessão’ contemplativa do sagrado, como existe no misticismo, que visa a um estado de ‘possessão’, não ação, no qual o indivíduo não é um instrumento, mas um ‘recipiente’ do divino”...

...”o contraste diminui, porém, se o ascetismo ativo limitar-se a controlar e superar a malignidade da criatura na própria natureza do agente”...”também é reduzido se o místico contemplativo não chega à conclusão de que deve fugir do mundo, mas como o ascético voltado para o mundo, permanece nas ordens do mundo (misticismo voltado para o mundo)”... (Weber, M.; 1980, p. 241 e 252).

É fato que a religiosidade não é mais necessariamente “fenômeno coletivo” ou “indissociável de Igreja”, como Durkheim, E. (1989) seria capaz de apostar todas as suas fichas; isto era correto há nem tanto tempo atrás assim.

O último Censo aponta como um dos crescimentos mais significativos o número de pessoas assumidas como “sem religião embora religiosas”; isto é, inúmeras pessoas identificadas com suas particularíssimas reflexões - e conseqüentes particularíssimas práticas - sobre religiosidade, que não sentem a menor necessidade de “aderir” a alguma Igreja instituída tradicionalmente, no melhor estilo “Hay gobierno, soy contra”...

Já o misticismo e o ascetismo de Weber, M. (1980) ampliaram e mesclaram ainda mais seu leque de expressões, minimizando ainda mais o seu “contraste” e, tanto dentro de religiões tradicionais, quanto de religiosidades não tradicionais, o que significava “buscar a salvação”, para muitos está bem mais próximo do oriental conceito Zen de bem estar imediato, que de uma teleologia culpada /culpógena por princípio, por pecados, originais ou não). ...”um código moral simples e benevolente :

"Sem prejudicar ninguém, realize a sua vontade’”(Dunwich, G.; 1997, p. 12)...

; esta, uma versão feminina de posicionamento wiccaniano diante do assunto.

Já a masculina, recomenda também:

...”Você mesmo muda a todo instante. Em vez de seguir cegamente as instruções de outra pessoa, defina as suas próprias pela observação e pelo questionamento”...”A Wicca é uma religião do indivíduo.”...(Drew, A . J.; 2002, p.25 e 53) .

Deixemos claro que não são "posicionamentos-privilégio" da Wicca; ela está aqui como um exemplo simbólico e comparativo, escolhida pela proximidade circunstancial que tive com o tema. Talvez a novidade maior esteja na possibilidade (reflexiva, livre e responsável) de exposição pública de todos esses (ainda assim tendenciosamente migratórios) processos, e as questões íntimas, como as de gênero, que são exemplos das prioridades temáticas que transitam agora muito à vontade (ou MUITO mais à vontade que antes) nos meandros reflexivos desses processos, tangenciando significativamente a face pública dessas questões.

A Ong Rawa, a organização das mulheres afegãs, ao invés de recorrer a alguma prerrogativa ou atitude baseada no Corão, apostou em transformações (“migrações”?) comportamentais enviando uma candidata ao Concurso Mundial de Misses, o que pode nos remeter imediatamente ao (arcaico traduzido?) mito/rito das respeitáveis (e cheias de poder) Prostitutas Sagradas dos templos de Ishtar, no sumério “embrião de Espaço Público” ancestral: ...”Sim, eu sou a primeira e a última. Sou a honrada e a desdenhada. Sou a meretriz e a sagrada”... (Prece a Ishtar; Qualls - C. N.; 1990, p.11).

A feminina tática afegã lembra também a estratégia de Sherazade, salvando a si mesma, outras e outros...

Na verdade, também nisso, aconteceu a tradução de um trânsito temático que por um bom tempo sobrepunha a história da sexualidade e da religiosidade humana: os rituais iniciáticos da puberdade (e/ou do pós parto), e a formação de sociedades secretas femininas.

...”É o acesso à ´sacralidade´, tal como ela se revela ao assumir a condição de mulher,

que constitui o objetivo tanto dos ritos iniciáticos de puberdade como das sociedades

secretas femininas”...(Elíade M. 2001; pág 157).

Prioridade agora, por exemplo, NÃO é mais “A ORIGEM” (a tradição familiar, étnica, colonialista, etc.) da escolha religiosa, MAS “O FIM OU PROJETO”: o que vai ser pensado, vivido, construído através daquela Religião (coletiva, numa Igreja), OU daquela religiosidade (individual, privadamente).

Prioridade NÃO é mais “A FORMA” herdada da tradição, MAS “O CONTEÚDO” selecionado, ESCOLHIDO, com o qual o “novo ser religioso” vai se sentir livre (e reflexivamente responsável) para debater.

Sim: homens também experimentaram e experimentam (e como!) o trânsito temático que sobrepõe a história da sexualidade e da religiosidade humana: os rituais iniciáticos da puberdade (e às vezes, ainda, os de pós parto), ora já “traduzidos”, ora não.

...”pertencer a sociedades masculinas implica já uma seleção: nem todos aqueles que

sofreram a iniciação da puberdade farão parte da sociedade secreta, embora todos o

desejem”...O mistério da iniciação revela pouco a pouco ao neófito as verdadeiras

dimensões da existência: ao introduzí - lo no sagrado, a iniciação o obriga a assumir a

responsabilidade de homem”...(Elíade M. 2001; pág. 156).

É - inclusive! - possível que as questões do masculino se tornem um dos debates mais (re)alimentados a partir de agora, TAMBÉM referenciado ao cruzamento do ambiente religioso, ritualístico, da experiência renovada do Sagrado, com as novas Questões do mundo Pós Moderno, que incluem a “Utopia Religiosa Plausível”.

Lembra Elizabeth Badinter em “XY-Sobre a Identidade Masculina”, de 1992, falando sobre a história dos rituais de iniciação dos meninos, desde a tradição de muitas tribos (o que, em muitos lugares do planeta, continua acontecendo na forma original; nós, os pós-modernos adotamos ‘metáforas’ muito ‘elegantes’, mas não menos dolorosas...):

...”Os pais, homófobos, temem os contatos muito estreitos com seus filhos”...

...”O objetivo comum desses ritos é mudar o estatuto de identidade do menino para que ele renasça homem”...

...”Verdadeira inversão do primitivo estado fêmea”...”comporta três etapas, cada qual mais dolorosa que a outra: a separação da mãe e do mundo feminino; a transferência para um mundo desconhecido; e a passagem por provas dramáticas e públicas”...

...”O estoicismo moral e físico é aprendido com o tempo e as provas. Para isso o jovem é com freqüência confrontado com situações de extrema crueldade...”(Páginas 70 e 71; negritos meus).

Poucos meninos cresceram sem ouvir de alguém que “HOMEM NÃO CHORA”...


Porque mesmo as religiões tradicionais precisam ter seu esoterismo? No Catolicismo a Tradição Templária, no Judaísmo a Cabala, no Islamismo a Tradição Sufi...

Afinal, a paixão pelo Mistério é uma sedutora face da estética, ou da poética, e por que não também da face política, do ser em processo de humanização.

É no Mistério do culto simbólico ao casamento da Natureza (freqüentemente associada a feminino), com o Espírito Civilizatório Humano (freqüentemente associado a masculino), que os esoterismos de quaisquer origem ou linha se encontram (comungam?) com a Wicca, a ponto de ser confundidos com ela.

Inclusive na hora de debater gênero:

...”A bruxaria oferece às mulheres oportunidade de adorar um divindade feminina”...

...Parece, a princípio, mais difícil entender porque os homens querem se tornar feiticeiros”...

”...A gratificação é igualmente compensadora para eles, eis a verdade. Há a liberdade de velhos conflitos, por exemplo, como a luta entre a sensualidade e a espiritualidade. O Deus Cornífero, divindade masculina dos feiticeiros, não acrescenta ao homem uma imagem de imediata superioridade (ou inferioridade) masculina. Pelo contrário, a imagem é de sapiência natural e selvagem. Tão poderosa como é poderoso um veado macho ou um carvalho; não como um ditador ou um míssil nuclear. Isso exige o sacrifício de velhas idéias”..(Beth, R.; 1997, pág.15; negrito meu).

Vide nossa ilustração para este texto, acima...

Todo esoterismo (metaforicamente ou não), desde o paleolítico, como o da Wicca, tem seu “Hieros gamos”, seu Ritualístico Casamento Sagrado entre um Princípio Feminino e um Princípio Masculino, que permite que “brinquemos poeticamente” de nos investir de divindade, para gestar/garantir, com nossas próprias mãos, (nossa pateticamente face Dr. Frankenstein?) a renovação de nossos “votos existenciais”: celebrar nossa relação com a pateticamente imperfeita “criatura” que chamamos o “nosso dia-à–dia”.

A perversão do patriarcalismo foi o primeiro fenômeno a talvez inaugurar uma ótica diferente da permeabilidade que parecia ter sido ensaiada no politeísta paleolítico como defendem alguns especialistas, e, mais tarde, a face política do cristianismo foi se construindo talvez como “uma das inevitáveis conseqüências” (nefastas?) desta primeira perversão: quem sabe uma “concretização politizada” (ou sintoma?) desta perversão?

Em 1233 o Papa Gregório IX instituiu o Tribunal Católico Romano, a Inquisição, e em 1320 o Papa João XXII declarou oficialmente que a Religião Antiga dos pagãos constituíam um movimento herético e “uma ameaça hostil”, tornando a perseguição que se lhe seguiu o que hoje se reconhece como um doentio massacre sádico descrito por livros, filmes e textos teatrais famosos (“O Nome da Rosa” de Eco, U.,2003, é o que melhor desvenda, por exemplo, o sentimento de ameaça que o patriarcalismo tem de ser desqualificado pelo humor, pelo riso).

Curiosamente, antes de uma pessoa ser considerada herética, ela precisa ser cristã, e os pagãos nunca foram cristãos... Estes, aliás, ainda costumam lembrar que:

...”É errado uma bruxa querer converter alguém. Essa é uma regra de nossa religião”...(Beth, R.; 1997, p.21).

A partir deste grave hipócrita processo decisório bélico, milhões de pessoas foram perseguidas e eliminadas com requintes de perversidade, e até o início do século XX tivemos (ainda!) notícias de execuções, além do constante processo de ridicularização de seus praticantes ou simpatizantes, como se fosse possível o ritual de um grupo (uma saudação à Lua Cheia) ser conceituado como “ridículo”, e os de outros (uma Missa ou um espetáculo teatral) como “não ridículos”!...

Curiosa banalidade acrítica dos julgamentos!...

Mas atenção:

Só ingênuos acreditariam que essas mãos dadas a favor da reconstrução dessa expressão religiosa “identificou, selecionou e agregou os melhores”, “os bonzinhos”, as “boas e virtuosas pessoas do planeta”, enquanto os “cristãos maus” formavam apenas “o resto dos humanos”; sempre é bom lembrar que não é bem assim; seria impossível ser assim...

Ao longo da pesquisa fui alertada, por exemplo, quanto uma pessoa auto-intitulada “sacerdote wiccaniano” em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, cuja prática invasora e desrespeitosa já chamou a atenção, (o que traz não só o risco da reprodução de episódios da mesma pedofilia apontada, por exemplo, no catolicismo, da manipulação de menores de idade, cada vez mais identificados e interessados em “se iniciar”, mas também o risco de concretizar problemas acusatórios dos quais os wiccanianos tentam fugir há séculos), e que já está sendo refletida e discutida por grupos de religiosidade emergentes/reemergentes.

Aliás:...

”Você é livre para fazer o que quiser, contanto que, de forma alguma, prejudique alguém - nem você mesmo. (Dunwich, G.; 1997, p. 13).

Um mercado que flutua entre o industrializado e o artesanal, fruto da “saída do armário” da Wicca, e de expressões de diversos esoterismos que acompanharam esse movimento (como a poeira da cauda de um cometa que o acompanha) tem inundado todas as esquinas de quaisquer lugares: bruxas, fadas, gnomos, pentagramas, caldeirões, vassouras, velas, ervas, cálices e espadas, sinos, amuletos, talismãs, cristais, instrumentos divinatórios como baralhos, runas, I-ching, CDs com música relativa a isso, literatura relativa a isso, vestuário relativo a isso, etc...

Há wiccanianos (e/ou esotéricos) que se orgulham disso, outros que se constrangem, diante do conseqüente temor que esse outro “namoro inoportuno” (o da Religião com o Mercado) possa ser tão ou mais pernicioso para a sua expressão de religiosidade que o namoro da Religião com o Estado (há, já, um núcleo wiccaniano dentro do Partido dos Trabalhadores!), contribuindo para que voltem a ser ridicularizados e discriminados, para que “não sejam levados à sério”, como me disseram muitos deles (homens e mulheres).

Por outro lado, dependem de fato de alguns destes objetos, ora para o desenvolvimento de seus rituais, ora para sua sobrevivência cotidiana, já que este é, afinal, às vezes, o único “saber” que têm para vender...

A “tradução” de “um texto” não se faz apenas com os vocábulos “bonitos” ou impecáveis, e costuma passar por “revisões” ao longo dos anos; talvez os “sintomas” apontados acima, decorrentes desta ainda tão recente “saída do armário” dessa religião (e de outras, emergentes ou reemergentes), se refiram a um primeiro rascunho desta “tradução”, que os hoje (muitos !) jovens interessados revisarão, engajados, no futuro.

Pode ser extremamente impactante para os mais familiarizados com as formas tradicionais de expressão de religiosidade que, em pleno século 21, tanta gente “culta” (?!), como identificou o Censo brasileiro, e o mesmo têm sido identificado nas estatísticas de vários outros países, (inclusive de primeiro mundo), ande envolvida com práticas nascidas em períodos tidos como “arcaicos”.

Mesmo que tudo isso conviva com páginas de Internet, celulares tocando, e com a circulação de um fluxo de informação inimaginável há dez anos atrás, é realmente curioso que tenha se tornado possível para o ser em processo de humanização contemporâneo a tradução de sentimentos de seus próprios ancestrais, com quem ele, assim, dialoga utilizando esta escolha religiosa.

Pelo Censo, os mais preparados academicamente são os Espíritas; os menos preparados são os Evangélicos e os Católicos...

Acredito que o contingente masculino, privado pela Natureza de experimentar ciclos orgânicos que simbolizem os ciclos ctônicos tão concreta e/ou eloqüentemente quanto o contingente feminino, aguarde, ansioso, poder retomar um Sentido Poético Epifânico para seu dia à dia; seja numa postura agnóstica recheada de novos hábitos relacionados ao contato mais direto com a Natureza, e /ou com os renovados cuidados com o próprio corpo, ou ainda engajado a uma religião tradicional, ou numa não tradicional.

O feminino foi concretamente contemplado, por exemplo, com os “ciclos lunares” nos quais a Mulher pode reviver esta sua experiência através do inevitável ciclo menstrual, ou “os ciclos do plantio”, onde é dado à Mulher metaforizar bebês desejados, plantados, carregados e colhidos na terra, como o seriam em suas barrigas.

Talvez o Hieros gamos ansiado pela subjetividade do homem “pós moderno” (mesmo que em forma de silente, “quase incógnita”, essa subjetividade existe!) esteja na plausibilidade de um re-casamento de suas (próprias) faces (identidade) “jovem herói viril/velho sábio curotrófico” (“apadrinhadas” por Apolo e Dionísio?), com sua (própria) organicidade (dinâmica interna) masculina (“apadrinhada” por Ártemis?), sensações das quais o contingente masculino tenha talvez se distanciado a tal ponto, que esteja agora faminto de reaproximação, além de intuir que a “tomada de posse” de sua organicidade não pode simplesmente se mirar na feminina! Precisa de autonomia! MERECE autonomia...


Resistência com Identidade Planetária.

...”Abençoadas sejam as crianças da nova era que se aproxima, pois tudo que foi criado, pelas mãos da Deusa será delas, por toda a eternidade”... (Dunwich, G.; 1997, p. 22).

Muitos cânticos ritualísticos de religiões emergentes/reemergentes, como este, reforçam a idéia de que é questão e responsabilidade religiosas, trabalhar para que a herança de todo tipo que deixemos para os descendentes tenha boa qualidade. É uma idéia simpática, na medida em que não há quem se mobilize a RESISTIR (dá trabalho físico e mental, ocupa mais uma parcela da vida já dura, dá medo das conseqüências, etc.), a não ser que esta RESISTÊNCIA se direcione a um PROJETO:

...”E aí está posto o grande desafio: tornar a prática religiosa, além de evangelizadora, emancipadora e includente”... (Paiva, A.; 2002, p.137, negrito meu).

Vi uma matéria jornalística televisiva em 10 de novembro de 2002 no canal aberto Globo News, e infelizmente não pude anotar os nomes dos envolvidos: um indiano Budista, e um pároco Católico, na Irlanda, partilham a mesma catedral, onde montaram um ONG com objetivo ecológico, onde tanto se ouvem mantras quanto os hinos tradicionais.

O indiano afirmava crer que

...“São Francisco trouxe a deusa, (a Natureza), para o catolicismo, e que o que Jesus ensinou está para os saberes das demais religiões, como a mão direita deveria estar para a mão esquerda”...

, lembrando - a seu modo - as colocações (que endosso, como demonstrei nos dois textos anteriores) do psicoterapeuta Whitmont, E. (1982), de que sem “uma face feminina/plurisexual de deus” o “arrebatamento” para uma “renovação metafísica” (e, conseqüentemente quaisquer outras renovações) será quase impossível.

O ainda jovem autor afegão Atiq Rahimi (2002), que costuma afirmar em suas entrevistas que

...“É necessário tornar a relação com Deus erótica, se Deus é tão importante!...".

Ele é também o premiado autor do romance "Terra e cinzas", que retrata o Afeganistão dos talebãns, através de três protagonistas: um avô, seu filho mineiro, e seu neto curioso, que - aparentemente - é surdo. A narrativa traz a pergunta : é ele que é surdo, ou são os que o rodeiam que estão "sem voz" ?...

A narrativa acrescenta ainda que - se não "têm voz" - não falam do óbvio: do luto que os rodeia; e que, se não falam desse luto, não o elaboram, não o metabolizam emocionalmente; a conseqüência imediata é partir para a violência e para a vingança, provocando novos lutos, também silenciados.

Antes de se preocupar em escrever sobre as inúmeras e trágicas questões pertinentes à mulher afegã, o autor vai ainda mais longe, ao se preocupar com as questões do homem (afegão?...).

O que (pelo visto) não é silenciado, lembramos, é que vivemos um fenômeno cultural onde novos "Espaços" para a sexualidade têm sido plantados, enquanto a agressividade tem tido mais dificuldades (morais? moralistas?) para conquistá-los:

...”Podemos ser tolerantes com os intolerantes ? “...”Podemos ser tolerantes com o intolerável?”...(Rouanet, S. P. ; 2003, p.11, Cadernos Mais! da Folha de São Paulo).

Um Ecumenismo que ouse pleitear - em nome da emancipação e da inclusão delineadas por Ângela Paiva (2002), a autonomia de pensamento para quaisquer cidadãos, religiosos ou não, Projetos, com P maiúsculo, não mais encapsulados em credos ou decálogos, mas voltados para quaisquer comunidades, especialmente para a maior delas, a “Comunidade Planetária”, sem que estes Projetos roubem (apesar de seu necessariamente assertivo direcionamento) a autonomia e a autoridade do Estado e/ou da Lei laica, certamente conquistará um debate que beneficie quaisquer expressões religiosas, e quaisquer seres em processo de humanização.

...”O homem ocidental moderno experimenta um certo mal - estar diante de inúmeras

formas de manifestações do sagrado: é difícil para ele aceitar que, para certos seres

humanos o sagrado possa manifestar - se em pedras ou árvores, por exemplo. Mas,

como não tardaremos a ver, não se trata de uma veneração da ‘pedra como pedra’ , de um culto ‘da árvore como árvore’ . A pedra sagrada, a árvore sagrada não são

adoradas como pedras ou como árvores, mas justamente porque são ‘hierofanias’ ,

porque ‘revelam’ algo que já não é nem pedra, nem árvore, mas o ‘sagrado’, o ‘ganz

andere’...”(Elíade M. 2001; pág. 17 e 18; negrito meu).

Debate arejado tanto quanto a renovação de seu olhar para as Questões da intimidade, da sexualidade (e conseqüentemente de gênero), quanto permeável a acolher - por que não? - o debate igualmente renovado sobre as Questões da agressividade e da assertividade dentro da particularíssima experiência do Sagrado e da religiosidade:

...”O sagrado está saturado de ser. Potência sagrada quer dizer ao mesmo tempo realidade, perenidade e eficácia”...(Elíade, M. 2001; p. 18).

É o que torna recorrentemente (há séculos !) tão mobilizantes os belos relatos (mitos ?) como, por exemplo, os que contam dos poéticos orgasmos epifânicos de Santa Teresa D’Ávila, mais uma vez pesquisados recentemente pela escritora Rosa Amanda Strausz, ou os que contam ora sobre a fúria de Jesus ao expulsar os gananciosos mercadores do templo, ora sobre sua bem humorada malícia ao transformar água em vinho nas bodas de Canaã, no catolicismo; os que contam sobre a insurreição (feminista?) de Lilith enfrentando não só Adão, mas a própria divindade (patriarcalista) em pessoa, no judaísmo; os que contam sobre a generosa piedade que não excluía a bravura guerreira de Hussein, o neto do Profeta, no islamismo xiita; os que contam do trânsito entre feminidade e masculinidade da sexualmente plural divindade Oxumarê no candomblé, e assim por diante...

As religiosidades emergentes/reemergentes (Wicca, etc.) talvez sejam uma renovada face de religiosidade que esteja traduzindo mais que mitos antigos; talvez ela esteja traduzindo a (arcaica ?) história do relacionamento, do “triângulo amoroso”, que envolve o olhar do ser em processo de humanização, o Universo/Planeta habitado por ele, e a potente consciência de existir/criar.

Emancipadora e includente, se e quando bem encaminhada (sem perder o senso crítico jamais) são práticas (ora apenas reflexiva, ora religiosa) que emancipa a REFLEXÃO, a ESCOLHA, e inclui o OUTRO, o que se refere não só a alteridade entre os seres em processo de humanização, mas também aos seres de OUTRAS ESPÉCIES, ao próprio PLANETA e ao UNIVERSO que habitamos, e - é claro - AOS TEMAS (as idéias, inclusive as poéticas) que, por quaisquer motivos, sejam sistematicamente adiados(as), e/ou escondidos(as) sob os tapetes de nosso até agora (e por muito tempo) precário processo (de humanização).

É o Projeto (com maiúscula) inspirador, sim, o provável fator de atração, sedução, encantamento, adesão; inclusive quanto a plausível emergência de seres nascidos com sexo masculino que tornem, para seu próprio bem, e para o bem de toda a sociedade planetária, Atores Sociais...

Debates (hiper) complexos, impuros, imperfeitos por opção, deslocados por reflexão, híbridos, cuja tradução mal começou.

Plausíveis, embora inacab...


Ilustração: Franz Stuck - Music - 1919

34 comentários:

Thiago Maia disse...

Já fiquei curioso...

BEIJO

Kovacs disse...

Christina, obrigado pela visita lá no "Mundo de K" e segue mais um belo exemplo de Enzensberger:

"Razões adicionais para os poetas mentirem"

Porque o momento
no qual a palavra feliz
é pronunciada,
jamais é o momento feliz.
Porque quem morre de sede
não pronuncia sua sede
Porque na boca da classe operária
não existe a palavra classe operária.
Porque quem desespera
não tem vontade de dizer:
"Sou um desesperado".
Porque orgasmo e orgasmo
não são conciliáveis.
Porque o moribundo em vez de alegar:
"Estou morrendo"
só deixa perceber um ruído surdo
que não compreendemos.
Porque são os vivos
que chateiam os mortos
com suas notícias catastróficas.
Porque as palavras chegam tarde demais,
ou cedo demais
Porque, portanto, é sempre um outro,
sempre um outro
quem fala por aí,
e porque aquele
do qual se fala
se cala.

caricaturas urbanodies disse...

Oi Christina,
Adorei o tema, ainda mais pela referencia mitica de Quíron na foto.
Vou esperar..

E com relaçao ao meu post,pode aguardar porque amanha irei com certeza ao aeroporto. Vou buscar minha mãe que está voltando de viagem.
Depois eu conto como foi.. tentarei tirar fotos.
Bjs

Bia Maia disse...

Vc sempre me surpreende...

Agora estou curiosa...

beijos com muito carinho...

Bia

A.Tapadinhas disse...

É curiosa (como demonstrou no comentário no Prozac Café) e sabe despertar a curiosidade nos outros...

Beijo.
António

Udi disse...

Votei!
;)

beijo!

Flavio Ferrari disse...

O tema promete ...

Samuel Giacomelli disse...

Adorei a imagem!

Estou na espera pelo proximo texto!

Beijo

Udi disse...

Sim, amiga!
Coltrane is one of "My favorite things".

Concordo com tudim que disseste! Os próprios tropicalistas (que arrastavam aquela asa toda pela bossa nova e "joãozinho") não resistiram à avalssaladora comunicabilidade da "jovem guarda" e do iê-iê-iê (afffe! meus deuses! o que vão pensar de mim!... tá vendo porque não tenho twiter?! ...risos!)

...mas olha, tem um roquinho novo lá no Prozac que não vai te desagradar.

:)

beijos

Ziza disse...

Oi, querida! No de psicologia não tem as fotinhas dos seguidores. Tb. coloquei no twitter! Pode compartilhar todos lá. Vamos nos ajeitando com o tempo, rsrs. Obrigada!!!

Solange Maia disse...

tcham... tcham...

o que virá a seguir ?

Beijo grande querida Christina !

Solange

Ana T. disse...

Confesso que ainda não li o texto que é cooooommmprido, mas o tema é mais do que interessante. A ilustração é divina! :)
Bjs
Ana

Thiago Maia disse...

Deu trabalho pra ler, mas como todo trabalho, foi bem recompensado! Ótimo, tudo! Ideias, citações, escrita... Chega deu saudades da época da faculdade [que irei começar de novo dia 3 de agosto].

Li o texto em umas 10 partes, rsrs. Toda hora lia um trecho. Valeu a pena esperar sim.

BEIJO

Lígia Guedes disse...

Excelente!
Mesmo sem ler tudo, sei que o é...

Beijo!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Chris,

lutar contra o senso comum não seria o primeiro passo para a insanidade mental?

ou a exclusão social?

tipo passaporte carimbado com visto liberado e aprovação no vestibular do Pinel?

eu fui um adolescente pensativo e insubmisso à "galera", de modo que só fui namorar aos 25 anos de idade, e meus amigos eram a escória do colégio, os esquisitões com quem ninguém queria contato, nós éramos os leprosos.

hoje rumino e sou feliz. comungo aos domingos, e tenho relações sexuais freqüentes com minha esposa.

conheci os 2 lados.

=D
marcos

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Não costumo responder aqui, e até já falei sobre isso num texto anterior, mas o tema é tão bom que vou aproveitar (nunca se sabe quem pode passar por aqui e ler; é uma responsabilidade, afinal!).

Acho que você está confundindo a perniciosa e doentia pressão do senso comum, com escolha convencional (mas ainda assim, escolha), baseada no AUTÔNOMO BOM SENSO.

Espie:

"...SENSO COMUM: 'Conjunto de opiniões tão geralmente aceitas em uma época determinada que as opiniões contrárias parecem aberrações individuais'.

BOM SENSO:'Faculdade de discernir entre o verdadeiro e o falso; Exercício da aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida'

Em tempo, a CIÊNCIA, por exemplo, é uma fenomenal produtora de 'senso INcomum'".
(Luis Cesar Hebraico, em "A Nova Conversa" - Ediouro - 2004 pág. 63.)

Estive em escolas ditas modernas, avançadas, tidas como de boa qualidade, etc., onde era dito às crianças POR supostos EDUCADORES, que "era necessário saber usar as roupas adequadas, andar da maneira adequada, se comportar da maneira adequada", e por aí ia...
Um educador, adulto, verticalmente colocado como autoridade, exigir isso, impondo supostos modelos, é pressão do senso comum; uma vergonha, partindo de entitulados educadores.

Assim, não há mundo que progrida, rumo à PLURALIDADE.

Do quê é que as pessoas têm medo?

É medo inconsciente de alguma coisa mesmo, ou é só manipulação dos piores setores do Estado e dos mais perniciosos segmentos do Mercado, somados à uma boa dose de necessidade semi-inconsciente de manipulação-do-Outro?...

Qual é a dificuldade humana com a experimentação, (especialmente a que possa vir proposta pelas crianças ou pelos jovens, como se eles fossem idiotas que jamais devessem ter voz) e - claro - com a pluralidade?...

De criança e jovem com limites amorosos bem postos, e amorosamente acolhidos por seus responsáveis, não se deveria, precisaria, ter medo!

Eles teriam sido educados para saber exercer sua AUTONOMIA e seu BOM SENSO!...

Quando você era jovem, onde estavam os adultos com um mínimo de sabedoria para proteger você de ser provocado por outros diante de alguma diferença, ou para estimular os outros a experimentar jeitos diferentes de ser, para - AÍ SIM - haver construção de autonomia, de bom senso, e ESCOLHA?...

Sem pluralidade não há democracia, liberdade, e fraternidade possíveis!

E - MUITO MENOS - CRIATIVIDADE!
CIÊNCIA E ARTE VÃO FICANDO CADA VEZ MAIS POBRES!

Se há "medo", não vamos parar para refletir "do quê ou porquê"?...
Prá quê nos foi dada a capacidade reflexiva, então?...
EU, HEIM!!! Vamos espantar essa preguiça, gente!!!
rsrsrsrsr

BJS! (vou te mandar por e-mail também!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Sim, Christina. Ninguém me protegeu das agressões psicológicas e físicas na adolescência. Eu e meus 2 amigos éramos excluídos totalmente.
Meus pais achavam que a escola era um mundo cor-de-rosa.
Hoje sou feliz por ter encontrado no Catolicismo a proteção que não tive.

beijó(K)awanami
Marcos

Fran disse...

Gosto muito do seu blog, os textos são ótimos!!!

Beeijão!

Aline disse...

Quando deu pra ler tudo agora, mas mais tarde eu volto pra terminar. ;)

Flávia D. disse...

Vou ler...com calma e atenção!
bjos

Sammyra Santana disse...

Oi, tudo bem?
Estou divulgando em meu blog a "Campanha+Promoção: Ajude Salete Maria a CORDELIRAR". concorra ao sorteio de uma linda camiseta pintada à mão!
Trata-se de uma campanha para ajudar a grande poeta Salete Maria a lançar sua coletânea de cordéis.
Dá uma passadinha lá no meu blog e, se der, participa pra dar uma força e contribuirmos pro enriquecimento cultural de nosso país!
Beijos!

Sammyra Santana disse...

Passa lá sim, vc vai gostar tanto da obra dela...
E se der, participa da campanha, pra que ela possa lançar a coletânea dos cordéis!
Ah, estou te seguindo! =)
Beijo

Valdemir Reis disse...

Olá amiga.

Obrigado por sua gentileza. Parabéns pela excelente texto publicado, interessante, belissimo, uma maravilha! Ótima contribuição. Aproveito para informar que em virtude do "MBA" o tempo ficou muito apertado em conjunto com as demais atividades que desenvolvo, mas qdo sobra um tempinho venho dividir com os amigos(as). Aproveito para compartilhar um pensamento de C. Coralina; "Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos,de solidariedade e amizade." Votos de muito sucesso, brilhe sempre! Tenha um ótimo e alegre fim de semana, muita paz e luz, fique com Deus, felicidades. Forte e fraterno abraço. Felicidades.

Valdemir Reis

teoriasimpossiveis disse...

O assunto me tomou de assalto, sim, porque a questão do Deus e das muitas crenças que nos cercam e que tomam como verdade unica o caminho da salvação, baseando-se em falsos silogismos e observações grotescas, classificatórias a partir do ponto de vista de uma minoria absurda que visa unica e exclusivamente um poder inexistente - são alvos de investigação pessoal. Gosto de me declinar sobre o tema e analisá-lo de forma detalhada, para permitir a mim mesma diferentes horizontes e seu post foi muito elucidativo...
Grata pela possibilidade. Abraços meus

Udi disse...

Este comentário ficou salvo no desktop desde a semana passada. Um trabalho desse tamanho faz com que os comentários sejam bem pensados

"Miniiiinaaaa!
A maior delícia disso tudo (apesar de não ter ainda lido "tudo") é perceber como a tua construção nos atinge prálém do texto em si... Já nas 2 primeiras citações pude perceber a tua capacidade de nos conduzir pelo nosso próprio pensamento..."

Complementando: não li nem a metade, um pouco cedo para concluir algo, mas já senti o quanto a questão da religião é bem mais uma questão de opressores e oprimidos que masculino e feminino.

...e ainda tem chão! Comentarei mais quando tiver percorrido mais algumas milhas.
beijos :)

Ana Maria Santeiro disse...

já votei.

muitos bons comentários.
beijo
Ana

rm disse...

Ei Christina,
tema complicado, heim? rss

Não tenho a menor competência para comentar e só li até chegar a Marcuse, com quem não tenho boa experiência... rss

Mas a temática religiosa, até por estar no extremo oposto à minha formação; muito me atrai. Pretendo continuar a leitura, mas gostaria de registrar desde logo:

1) Não fiquei convencido da associação direta entre "patriarcalimo religioso" e questões concretas de gênero. As religiões assim identificadas mais se caracterizam por serem monoteístas. Então, como explicar que inúmeras SOCIEDADES forjadas no politeísmo (na verdade a maioria da população mundial) igualmente reproduzam o chamado "poder pátrio"?

2) Concepções religiosas matriarcais não são propriamente novidade. Ao contrário, predominavam em grande parte da Europa antes da conversão ao cristianismo. Isto também não parece ter criado sociedades menos machistas...

Camila disse...

O.o qe post enooooooooooorme, :)
li um pocão e esses assuntos naum me xamam atençãao. mas gosteei do blog e volto depois com certeza

bejos

TetÊ disse...

HeII!
AmigA e vc acha que não dar pra
ler tal conteúdo essencial assim
as nossas vidas??

http://verbofeminino-rm.blogspot.com/



Beijus!!!!
Тєтê .......ям иσ νєявσ

Fran disse...

Cristina, muito obrigada pelas suas palavras! E quanto ao seu desejo para daqui 5 anos eu espero de coração que você lance seu livro e se possível, espero estar lá, formada em psicologia, para te homenagear :)
Desde já, saiba que te admiro muito! Sempre procurei pessoas que gostassemm de psicologia ou simplesmente de assuntos relacionados ao ser humano e ter encontrado você foi maravilhoso!

Beeeijo!

Caricaturas Urbanoides disse...

POis é, se cada um fizesse a sua parte, talvez as coisas ficassem melhor. Agora essa bomba dessa psicologa insana que declara aquelas insanidades.
Estou passada com o CFP.. ISso é de deixar doente..
Tinha que expulsar ela e todos aqueles que fazem do codigo de etica seu papel higienico

TetÊ disse...

Chris,

deixando bjo!

Solange Maia disse...

Chris,

E as palestras e cursos ?
Como andam ?
Vem à SP ?

Beijo no coração

Flavio Ferrari disse...

Só porque fez um comentário quilométrico resolve ficar um mês sem postar !!!!
Se for para ter um deus único, prefiro a deusa mãe, de Brumas de Avalon ...
Criar um deus único, à imagem e semelhança de um homem não pode acabar bem ...
Um deus único precisa ser necessariamente abrangente e os homens não tem essa amplitude.