segunda-feira, 17 de agosto de 2009

INTERVALO MUSICAL : GAROTOS, ("versão II – O outro Lado"), SEGUNDO LEONI


“Seus olhos e seus olhares, milhares de tentações....

Meninas são tão mulheres...seus truques e confusões...

Se espalham pelos pêlos, boca e cabelo, peitos e poses e apelos....

Me agarram pelas pernas...certas mulheres

- como você - me levam sempre onde querem!


Garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não...

Garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher

são só garotos...


Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juízo...

Devoram os meus sentidos, e eu já não me importo comigo

Então são mãos e braços, beijos e abraços, pele, barriga e seus laços...

São armadilhas e eu não sei o que faço,

aqui de palhaço, seguindo os seus passos...


Garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não...

Garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher

são só garotos...”


(“Garotos II – O outro lado”)


http://www.youtube.com/watch?v=hFJljUyEJ3c


Driblando a dificuldade que os (garotos?) seres nascidos com sexo masculino têm de debater SOBRE si mesmos ENTRE si mesmos, a Arte, a Cultura, e (por que não?!) a Cultura de Massa (um VIVA ao Pop de qualidade! Ele EXISTE!) vão exibindo-pontuando a mudança das coisas, da ótica humana sobre suas próprias questões, ao longo do tempo.


O universo musical quase faz disso “um esporte”...


...”O ser homem e o ser mulher nas canções de Lupicínio são, antes de tudo papéis sociais e culturais. As diferenças e as semelhanças entre os gêneros são apontadas pelo compositor, mas nos dois procedimentos o homem sempre se apresenta como exemplo mais bem acabado, a partir do qual a mulher se situa. Ela é medida segundo o padrão de perfeição masculina: inversa ao homem, é, portanto, menos perfeita. Afirmam-se então a superioridade e a dominação do homem sobre a mulher”... (M. Izilda S. de Matos e Fernando A. Faria; ‘MELODIA E SINTONIA EM LUPICÍNIO RODRIGUES – O Feminino, o Masculino e suas relações’; Bertrand Brasil, 1996; pág.133 e 134).


Exemplo do parágrafo acima?


“...Homem que é homem

faz qual o cedro

que perfuma o machado que o derrubou...”


ou:


“...Se alguém que ama de verdade

serve de riso p’rá humanidade

é um covarde, um fraco, um sonhador...”


ou ainda:


“...Estas palavras que estou lhe falando

têm uma verdade pura, nua e crua

eu estou lhe mostrando a porta da rua

p’rá que você saia sem eu lhe bater...”


e como se não bastasse:


“...Joguei uma jovem ao rigor dos caminhos

a trilhar sobre um monte de espinhos,

vejam só a maldade que fiz;

e quando a encontrei, assim abandonada

pus-me a rir dessa pobre infeliz...”


Lupicínio Rodrigues era “mau”, um “vilão”? Não, era um artista, que cantava o tempo (anos 40/50) em que vivia...


Se mera vilania fosse, como curtir a grandeza do humor de Ary Barroso, que nos anos 30 sem cerimônia alardeava


“Essa mulher a tanto tempo me provoca!

Dá nela, dá nela...”?...


Na virada dos anos 50 para os 60, Dolores e Maysa chegaram, “deram uma situada musical” na rapaziada.

“Coincidência” ou não, a bossa nova emergente logo em seguida foi transformando mulher em florzinha, em Chapeuzinho Vermelho que levava lobos maus pelas respectivas coleiras, e...na “COISA” mais linda que existe, para a ira de outra autora:


...”No entanto, se os meninos da bossa nova foram moderninhas, alterando a batidinha do sambinha, em compensação a poeticazinha, referente à mulherzinha, eles retiraram dos baús dos vovozinhos.

Reafirmaram a máxima filosófica da Idade Média, relacionando a existência da mulher à essência natural das flores...

O discurso sobre a mulher era terrivelmente antiquado e, algumas vezes execrável...” (Maria Áurea Santa Cruz; A MUSA SEM MÁSCARA – A imagem da Mulher na Música Popular Brasileira; Rosa dos Tempos, 1992; pág.60 e 61)


Exemplo?


“COISA mais bonita é você

Assim justinho você

Eu juro

Eu não sei por que você

Você é mais bonita que a flor

Quem dera a primavera da flor

Tivesse todo esse aroma de beleza...” (maiúsculas minhas).


Mas, lembra também a mesma autora:


“...Em oposição à maioria dos ‘rapazes de bem’ do movimento bossa-novista (musicalmente voltado para os universitários representantes da casta intelectual nacional) surgiu a ‘jovem guarda’. Assim chamada por conta do programa de televisão veiculado em várias emissoras do país, a nova onda provinha do talento artístico de rapazes suburbanos que se encontravam num barzinho da Tijuca, bairro de classe média da Zona Norte do Rio...

Por incrível que pareça, no discurso dessa turma sobre a mulher, até que o tratamento era mais ‘maneiro’. Fomos promovidas do reino vegetal para o animal. Éramos agora comparadas a um bicho felino, domesticado e dengoso...

Em compensação, a garota moderna ganha mais firmeza, destacando-se por seu jeito destemido, seguro, e mostrando a que veio. Sem nenhuma distinção dos rapazes do seu tempo, manda tudo que é retrógrado para o inferno...” (Maria Áurea Santa Cruz; A MUSA SEM MÁSCARA – A imagem da Mulher na Música Popular Brasileira; Rosa dos Tempos, 1992; pág. 62 e 63, negrito meu).


Exemplos?


“...Um dia, gatinha manhosa,

eu prendo você no meu coração;

quero ver você fazer manha então...”


“...Essa garota é papo firme!

Se alguém diz que ela está errada,

ela dá bronca, fica zangada;

manda tudo p’rô inferno

e diz que hoje isso é moderno...”


Já no livro “Eu não sou cachorro não” de 2002, Paulo Cesar de Araujo dá voz aos (precipitada, preconceituosa e provincianamente) chamados “cafonas”, entre eles Odair José, que declara lá:


“...O que rolava na MPB era o namoro do portão sob a luz do luar. Eu vim falando de cama, de pílula, de puta, de empregada doméstica, porque essa é a realidade do Brasil Eu sou um cantor da realidade. Então é por isso que eu me tornei um artista polêmico e a censura começou a me proibir”...


Agora que lembramos tudo isso, voltemos ao nosso simpático Leoni.

Ele não coloca mais "padrões de perfeição" em homens ou mulheres (como Lupicínio), não quer "dar" vingativamente em ninguém (como supostamente Ary), não chama ninguém de vegetal ou animal, ou cai em hiper-realidades talvez rasteiras.

Ao contrário do que o título indica (poetas estão aí para fazer metáforas, não é?) , como veremos, não o vejo infantilizando DE FATO o Homem.


Ele expõe, com a grande simplicidade e generosidade dos bons trovadores, uma conversa consigo mesmo, QUE É TUDO QUE O HOMEM CONTEMPORÂNEO TEME / DESEJA (diz a psicanálise que um sentimento não existe sem o outro, e eu continuo gostando dela e priorizando-a).


Isto é, TUDO O QUE O PLAUSÍVEL DIÁLOGO ENTRE AS CATEGORIAS DE GÊNERO PRECISA PARA deixar de “ser garoto” E SE DESENVOLVER.


Expõe também, talvez para o desgosto de muitos patriarcalistas/patrimonialistas, a condição de ser um “ser-que-precisa-pode-tem-o-direito-de” se desenvolver.


Não são “garotos” que não cresceram porque não quiseram ou eram incapazes.

Houve (e há) toda uma cultura que maliciosamente evita que eles desenvolvam sua reflexão sobre si mesmos, em processos de intralocução e posterior interlocução com seus iguais.


Enquanto homens não conversam consigo mesmos, e consequentemente com seus iguais, não conquistam AUTONOMIA real, concreta: permanecem meio Pinóquios (o boneco-GAROTO), meio fantoches, facilmente manipuláveis por quem tenha volúpia de poder; eles existem...


A única “arma” plausível para neutralizar as iniciativas destes psicopatas eternamente de plantão é a CONQUISTA gradual (igualmente eterna) de AUTONOMIA.


As “meninas-já-mulheres” que seduzem, guiam, levam onde querem, são MUSAS, e não "moças-más", no modelão "mulher-fatal" (mesmo que elas existam, e eventualmente apareçam na vida de alguém...).


TAMBÉM NÃO são a suposta “feminilidade” que alguns julgam que os homens deveriam desenvolver.


São MUSAS da TERNURA que não se precisa perder jamais ao olhar para o Mundo, para a vida da VIDA, para o OUTRO, para a CRIAÇÃO.

Essa TERNURA não deveria parecer ser privilégio de mulheres!

É privilégio de HUMANOS, de HUMANOS AUTÔNOMOS.


Como lembrava frequentemente minha querida Hannah Arendt, ser “do-mal” é “moleza”; não exige reflexão alguma...

Já ser “do-bem” dá um trabalhão; exige reflexão e – conseqüente e inevitavelmente – AUTONOMIA.


Em algum lugar dentro dele, Leoni SABE disso.


Afinal, como sempre gosto de lembrar, poetas das letras, das tintas, do som, ousam quebrar o já famoso silêncio masculino (especialmente direcionado para as questões de intimidade consigo mesmos e com o Outro): não temem a turbulência, o estado da paixão, a 'loucura' emocional que tantos filósofos apontam, há muito tempo, como um caminho reflexivo profícuo, e do qual andamos meio carentes.

Não temem (e como poderiam?) nem as MUSAS (de Apolo), nem as MÊNADES (de Dionísio)...


Volto a lembrar outra coisa que repito (e repetirei): Creio num MASCULINO com referencial MASCULINO (ainda a desbravar?), tão AUTÔNOMO quanto o FEMININO, e com RENOVADO PROJETO PRÓPRIO.


Ah, então MULHER é a princípio um ser que reflete, e é compulsoriamente “do-bem”?


CLARO QUE NÃO! Patriarcalismos e patrimonialismos NÃO SÃO PRIVILÉGIO MASCULINO; infelizmente mulheres patriarcalistas-patrimonialistas abundam igualmente...


Daí a “moleza” que é há para os psicopatas de plantão, ávidos de poder manipulativo, em guiar a boiada da sociedade de massa (ou sociedade-espetáculo-de-mau-gosto) para o que a gente vê: uma sociedade bélica, imediatista, que desmerece a Natureza, o Pensamento, a Arte, o Estudo, a REFLEXÃO, a AUTONOMIA, a ALTERIDADE, etc...


Gilberto Gil e seu “superhomem” ? Nosso ex-ministro já tem quem fale dele o suficiente; aquele abraço para ele...


Chico César, que já foi mulher, nós o sabemos?

Minha questão é o HOMEM COM NOVO REFERENCIAL MASCULINO E AUTÔNOMO.

Abraços para ele também, uái...


Mas os “GAROTOS” de Leoni são sementes desse HOMEM reflexivo e autônomo que já brota por aí, filho de pais-homens que já tocam seus filhos (especialmente seus meninos) com menos homofobia, que já conversam com seus filhos (especialmente seus meninos) orientando-os (com exemplo, discurso e prática responsáveis) a minimizar a repetição de seu ancestral e famoso silêncio (o interior e o compartilhado) sobre intimidades.


Eles se auto-declaram irremediavelmente guiados pelas MUSAS-TERNURA, que estão no nosso imaginário; não no imaginário “feminino” ou “masculino”, mas à nossa disposição, no imaginário HUMANO.


Um homem que – em breve – terá mais a dizer sobre si mesmo.

Que não precisará se limitar a dizer, para se identificar, que “ser homem é não ser criança, não ser mulher, não ser gay”, como pontuou Elizabeth Badinter em sua obra.


Esses GAROTOS são “os meus quindins”; os “plausíveis netos queridos” dos meus (levadíssimos e inquietos) sessenta anos de idade.


Ilustração: Foto do LEONI, claro!

28 comentários:

Fran disse...

Aii eu amoo essa música e seu texto ficou a altura. Menina, você não brinca em serviço hein?! :)

Um beeijo cheio de admiração!

Bia Maia disse...

Esta música é demais...me lembra minha deliciosa adolescência!!!!

Adoro o seu blog!

Beijos com carinho e parabéns sempre por tão sábias palavras!

Bia

Flávia D. disse...

Adoro a música. Parece que quanto mais ela fica antiga, mais linda é. Adorei o texto também.
bjão

Marcos Satoru Kawanami disse...

Christina,

observo que vários homens gays que conheci, na verdade gostavam de mulher, mas fugiam delas por causa disso que vc falou: poder e manipulação.

desde que eu "era criança pequena lá em Barbacena", percebi a arma que a beleza feminina representava.
então, inventava de paquerar à distância, escrevendo cartas. foi assim que comecei a fazer poemas.
somente aos 25 anos de idade foi que namorei de verdade, porque a minha esposa tomou a iniciativa, e resultou que nos casamos neste ano, aos 33 anos de idade, nós dois nascemos em 1975.
agora, se ela tivesse só se insinuado, feito charme, feito jogo de sedução, eu teria fugido como sempre fugi das outras mulheres sedutoras do tipo que engana e ilude.
Luciane foi franca à primeira vista, chegou e falou na lata: vamos ou não vamos? sem truque. por isso fui, e estou na dela até hoje.

paz e bem
Marcos

Marcos Satoru Kawanami disse...

Christina,

observo que vários homens gays que conheci, na verdade gostavam de mulher, mas fugiam delas por causa disso que vc falou: poder e manipulação.

desde que eu "era criança pequena lá em Barbacena", percebi a arma que a beleza feminina representava.
então, inventava de paquerar à distância, escrevendo cartas. foi assim que comecei a fazer poemas.
somente aos 25 anos de idade foi que namorei de verdade, porque a minha esposa tomou a iniciativa, e resultou que nos casamos neste ano, aos 33 anos de idade, nós dois nascemos em 1975.
agora, se ela tivesse só se insinuado, feito charme, feito jogo de sedução, eu teria fugido como sempre fugi das outras mulheres sedutoras do tipo que engana e ilude.
Luciane foi franca à primeira vista, chegou e falou na lata: vamos ou não vamos? sem truque. por isso fui, e estou na dela até hoje.

paz e bem
Marcos

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Caríssimo Marcos:

Adoraria se você relesse meu texto, pois o que procuro ressaltar é MUUUUUITO diferente do que você entendeu, certamente numa olhada precipitada (o que até muito me honra!).

Os manipuladores a que me refiro, são aqueles que infelizmente adquiriram um poder maior que o seria devido sobre o CALDO CULTURAL no qual nascemos e estamos ainda envolvidos; NÃO ME REFERI ABSOLUTAMENTE À SUPOSTAS MANIPULAÇÕES FEMININAS.

Como deixo claro, há milhares de MULHERES e HOMENS PATRIARCAIS-PATRIARCALLISTAS amantes do PODER e da manipulação; isso, sim.

Mas o que acontece no tête-à-tête do dia-à-dia é "café-pequeno"...

Esses poder e manipulação são exercidos de maneira muito mais sutil e dissimulada, cruel e melíflua.

Quanto os homossexuais e bissexuais, trans, qual o problema?

Quando clamo por diálogo mais profundo entre homens, tenho certeza de que ele será ainda mais esclarecedor e produtivo se hetero, homoafetivos, bi, e trans conversarem, trocarem idéias JUNTOS: TODOS aqueles que NASCERAM em CORPOS de HOMEM.

Sabe por quê?
Porque vejo que todos eles, cada um do seu jeitinho, têm problemas com isso, mesmo que direcionados para pontos diversos.

HOMEM é a única categoria de gênero que AINDA NÃO SE ORGANIZOU!

ESPANTOSO!

Se os homoafetivos/bi/trans acham que está tudo resolvido para eles por terem se organizado, (SIM! PARABÉNS A ELES POR ESSE PASSO TAMBÉM IMPORTANTE QUE ELES, ENTRE OS HOMENS, SE ADIANTARAM A DAR!), estão enganados!

Eles - no começo de suas vidas - nasceram em corpos de homem, e isso FOI uma QUESTÃO em suas vidas.

Logo, por essa "face-homem" de suas vidas eles ainda precisam se (re)organizar com os demais homens, os heterossexuais, que por sua vez precisam deles para debater a fundo as sequelas que TAMBÉM sofrem por conta do PATRIARCALISMO-PATRIMONIALISMO.

Beijos para você e Luciana!

Thiago Maia disse...

Mulher... Ando tão sem tempo, faculdade consumindo o juízo
rsrsrs

Mas sempre que der aparecerei

Beijos

Ava disse...

Christina, voce fez um verdadeiro tr4ato, sobre música, garotos, homens...


E de quebra, recordando várias músicas lindas, que embalaram tantos sonhos meus..rs


Muito bom!


Melhor ainda te ver lá pelo VERBO, com seu carinho e atenção...


Beijos!

Fran disse...

Querida, tem um selinho no meu blog para você :)

Beeijo!

Calila das Mercês disse...

Chris, vc é o máximo. Adorei!
São questões que devemos pensar mesmo.

Os homens não se organizam mesmo... Uma onda isso!

Gostaria de escrever algo sobre isso para apresentar num congresso, você me ajuda??

Beijos querida!

Fran disse...

É assim sim :)
Se você quiser, também pode postar ele e indicar para outros blogs [é só colocar o selo como postagem, e indicá-lo para outros blogs colocando o link dos indicados]

Beeijo amada!
P.S.: Ri muito com seus comentários!

Juan Saint' Clair disse...

Muito bom o texto, meus sinceros parabéns!


Twitter: @juanstclair
Quem tiver e quiser adicionar fique à vontade.

LA STREGA disse...

Homens sensíveis e que não têm vergonha de assim o serem. Isso existe, ainda que sofram o tal do preconceito social.

"CLARO QUE NÃO! Patriarcalismos e patrimonialismos NÃO SÃO PRIVILÉGIO MASCULINO; infelizmente mulheres patriarcalistas-patrimonialistas abundam igualmente..." - AOS MONTES, AOS MONTES!!! ELAS ESTÃO POR TODA PARTE!!! Infelizmente.

Querida, seus textos tiram o fôlego. O que diria agora Paula Toller, que tanto cantou Leoni (em todos os sentidos)? :)

Maravilha de leitura! Beijos.

Lunna disse...

Bom dia, cá estou eu novamente...
Tinha dito no comentário feito que jamais tinha visto a música dessa forma, até porque me identifico bem mais com o ritmo que com a letra (estranho, não é?) mas é que a música pra mim é segunda pele na hora da escrita. Hoje por exemplo estou precisando de silêncio, então toda e qualquer música me incomoda...
Mas achei interessante verificar esse olhar através da música sobre o elemento feminino.
Sou grande admiradora da Bossa Nova e adorava ouvir as melodias de Tom Jobim (as quais sigo ouvindo) quando ele fala da mulher de seu desejo, ainda que seja apenas do olhar masculino sobre a presa (fêmea):

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Já a música de Leoni me remete também a uma coisa comum. O olhar de menino que vai aos poucos se descobrindo homem e tão refém do que será feito com ele. Acho que isso é comum a dois, tanto ao homem quanto a mulher.

Mas a reflexão que se permite através do tempo é que deveras me surpreendeu. Não vou dizer que prestarei mais atenção a esses detalhes porque a música pra mim é como te falei: segunda pele para momentos de composição ou de momentos em que eu quero apenas ouvir os "delírios" de Mozart ou Mendelson...
Beijos carissima.

Flavio Ferrari disse...

Sincronicidade ... cheguei em casa pensando nessa música ...
Minha parte eu faço ... sou super reflexivo, prefiro conversar com mulheres (homens só conversam sobre "coisas"), sou psicanalizado, já não me defino mais, e estou aprendendo a dizer não ...

Cadinho RoCo disse...

Belo tranalho social.
Cadinho RoCo

Sammyra Santana disse...

Simplesmente arrasou!
Lupicinio era um tremendo machista, claro, fruto de sua época onde o homem era o "chefe de familia".
e até o Vinicius deMoraes (o meu querido Vinicinho, quem diria?) tb foi extremamente machista em seu poema/canção, quando disse:
"se quiser ser somente minha, exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha que ninguem mais pode ser, você tem que vir comigo em MEU caminho e talvez o MEU caminho seja TRISTE PRA VOCÊ"... e por aí vai...
eu espero que essa raça machista entre em extinção pra ontem! rs
O ideal era que as pessoas só s eimportassem em ser felizes, sem precisar de estereótipo algum para se autoafirmar, né?
Beijooo

Bia Maia disse...

Fico feliz demais que meu post sobre ESCOLHAS tem lhe feito bem!
Um beijo em seu coração e lindo domingo para vc!

Biazinha

Udi disse...

Amiga,
novamente, ainda não cheguei até o final do texto (já te disse que você é too much conteúdo!)

Esta letra sempre me chamou muito a atenção. O garoto que fez a compôs parece ter se entendido consigo mesmo.

De minha parte, o que percebo é que só bem perto dos 50 pude aceitar o tanto que os meninos têm de meninos e aceitar essa "criancice" fez com que tudo ficasse bem mais fácil e tranquilo. Mas foi muito mais a partir da percepção de que nós (meninas) temos a energia da sustentação. Não tem jeito! mãe é terra, sustentação.
Talvez a forma como exerecemos a tal da capacidade de sustentação possa ter alguma influência em como se manifesta a "criancice" nos meninos, que pode ser saudável ou não.
Virge! Viajei muito? Anyways, aqui me sinto à vontade para viajar. Aliás, seus posts e a forma como coloca suas idéias são sempre um passaporte para altas viagens!
thanks much for that!
beijos

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Chegou por email, para minha honra:

Wednesday, August 26, 2009, 2:17 PM

Oi, Maria Cristina.
Não só eu li o seu texto com espalhei no Twitter. Muita gente comentou no dia.
Parabéns. Eu não teria sido capaz de encontrar tanto significado na minha obra.
Superou minhas expectativas.
Adorei.
Beijos

Leoni
www.leoni.com.br

Marcos Satoru Kawanami disse...

Chris,

na cozinha da sogra, nas conversas de comadres, no botequim do Noël, aí eu fico à vontade.

quanto a Política: eu sou apolítico.

como o Fabiano diz na novela das 7: Deus é mais. rsrs

mas percebo claramente que a Propaganda mormente oscila entre poder e sexo e os dois juntos. não cedo aos apelos publicitários, fica tranqüila.

beijó(K)awanami
.

Ava disse...

Nossa, Voce praticamente fez um tratato sobre garotos...

Muito bom por sinal...

Essa música do Leoni é de uma ternura incrível...Uma doce confissão do quanto se sentem confusos com essas garotas...

Beijos!

Fran disse...

Querida, muito obrigada pelas dicas. Esse livro vou providenciar para a próxima compra :)Esse o outro das mitologias!

Beejão!

Caricaturas Urbanoides disse...

Antes de mais nada, Parabéns pelo nosso dia 27.
Diante das ultimas, fiquei afastada daqui.

MAs em relação ao que vc falou dos jovens, concordo muito e me vem uma certa preocupação em relação ao futuro. Onde vamos parar diante desse comercio que é feito das faculdades. Hoje qq um pode ter um diploma de faculdade. Obvio que isso não é errado, mas onde está a qualidade, onde foi parar o desejo, a vontade de aprender, o interesse em aperfeiçoamento? Bons profissionais são escassos hoje em dia.. Fico vendo meus estagiários hje e comparando com alguns de anos atrás. Que medo! Tento acender uma chama dentro deles, mas parece que é em vão.. Lamentável.. Se é assim, que parem de rezar o terço dos pais e vivam as suas vidas fazendo o que realmente lhes dá prazer.E o imediatismo de acharem que tudo sabem? afffff Aja terapia!!
Bom final de semana

Fran disse...

Amada, tem selinho pra ti lá no blog :)

Jaime Guimarães disse...

Acho que foi o Nélson Rodrigues que falou...homem com 18 anos não sabe nem dar "bom dia" às mulheres.

Dialogar com nós mesmos? É ruim, hein? Não somos humildes a este ponto...rsss Mas alguns tentam.

"No entanto, se os meninos da bossa nova foram moderninhas, alterando a batidinha do sambinha, em compensação a poeticazinha, referente à mulherzinha, eles retiraram dos baús dos vovozinhos."

Este trecho foi ótimo!

(Ah, e já pensou se o Barrichello fosse mesmo tema ou mote para um livro inteiro? hahahahahaha!)

bjs!

Sammyra Santana disse...

é amiga... junto com a indign tem que vir a AÇÃO!!!
Abraços

Thiago Maia disse...

ooooooooooooow que perfeito seu comentário, dizendo que estou a escrever muito bem. amooooooooooooooo tal reconhecimento, e cativa, incentiva
rsrsrs
ando sem tempo....
b eijo s